Salvador
por Bruna Rocha
Publicado em 25/07/2025, às 09h40 - Atualizado às 09h53
A capital baiana se prepara para sediar mais uma edição da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. O ato, que ocorrerá nesta sexta-feira (25), às 14h, na Praça da Piedade, seguirá em direção à Praça Terreiro de Jesus, no Centro Histórico de Salvador.
A mobilização, protagonizado por mulheres negras e aliados da causa, une-se a diversas iniciativas do Brasil que visam reunir pessoas do sexo feminino para a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, e pretende levar um milhão de cidadãos para Brasília (DF), no dia 25 de novembro.
A Marcha das Mulheres Negras em Salvador compõe o calendário nacional do Julho das Pretas, que está na 13º edição. O evento reúne anciãs e jovens como Amanda Oliveira, liderança quilombola do território da Chapada Diamantina, na Bahia.
“Nós, enquanto jovens, temos a responsabilidade de continuar os processos e fortalecer o que já foi construído pelas nossas antepassadas. Além dessa responsabilidade de assumir a luta, temos o privilégio de, de forma contemporânea, construir e dar seguimento ao que já existe”, conta a ativista e estudante da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
“A juventude negra na marcha representa a construção do nosso espaço político, permitindo que continuemos, de forma qualificada, a trajetória e o desenvolvimento do movimento de mulheres negras. Pensar em reparação, por exemplo, é considerar a devolução de direitos e bens que muitas das nossas antepassadas não conseguiram acessar em vida. Hoje, temos a oportunidade de, fortalecidas por elas, instaurar um debate sobre quem nos deve e o que nos deve”, continua Amanda.
Assim, ao pensarmos em reparação para nós, jovens negras, partimos do desejo de garantir um futuro mais promissor e o direito de sonhar. A juventude negra quer ter esse direito, o direito de sonhar”, enfatiza a jovem.
O evento também celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, além do Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A iniciativa conta com a articulação do Instituto da Mulher Negra, o Odara, da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), da Rede de Mulheres Negras do Nordeste e da Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira.
O tema da Marcha das Mulheres Negras deste ano é a Luta pelo Bem Viver. A escolha visa expor a realidade onde as mulheres negras são as principais vítimas das desigualdades sociais no Brasil.
“Reparação histórica é a exigência de que o Estado brasileiro implemente ações voltadas para reconhecer e corrigir as injustiças causadas pela escravidão. O bem viver surge como uma nova forma de organização social, promovendo a adoção de experiências em que todos e todas tenham seus direitos humanos garantidos”, destaca Suely Santos, membro do Rede de Mulheres Negras da Bahia.
Conforme a 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo Instituto de Pesquisa DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência, 66% das mulheres que sofrem violência doméstica são negras. Além disso, são também as que mais enfrentam dificuldades financeiras, com menor acesso à renda ou sem nenhuma fonte de sustento.
No mercado de trabalho, os dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), divulgados em novembro de 2024, apontam que as mulheres negras representam 10,1% do total de 7,5 milhões de pessoas desempregadas no país — quase o dobro da média nacional, que é de 6,9%.
Diante do cenário, Suely destacou como as mulheres negras baianas estão se articulando para marcha em Brasília a fim de “garantir seus direitos”.
Temos o comitê da Bahia, que é composto por representantes do movimento de mulheres negras, além de outras mulheres organizadas em diversos coletivos, organizações, instituições e comunidades. Esse comitê estadual baiano é responsável pela organização da caravana que chegará em Brasília com mulheres da Bahia. Para isso, estamos organizadas em comitês nas cidades, universidades e quilombos”, conta Suely.
“É nesse espaço que realizamos reuniões, encontros e cursos de formação. O comitê é estruturado em grupos de trabalho, incluindo áreas como estrutura, metodologia, comunicação e mobilização. Esses grupos são fundamentais para o trabalho construtivo da marcha”, complementa.
“Além disso, temos uma agenda de caravanas que nos permite visitar os diferentes territórios do Estado, mobilizando as mulheres para a marcha. O grande desafio do comitê da Bahia é conseguir ônibus para garantir a chegada das mulheres em Brasília. Afinal, temos uma meta a alcançar: levar um milhão de mulheres negras para lá”, conclue a ativista.
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