Salvador
A Associação dos Trabalhadores Cordeiros da Bahia (Sindcorda) vai se reunir com responsáveis de blocos que desfilam no carnaval de Salvador para reivindicar melhores condições de trabalho para a categoria durante a festa momesca. Entre os pontos a serem abordados na assembleia, marcada para 5 de dezembro, está o aumento da diária para R$ 150.
“Vamos ter a primeira reunião com a associação de blocos e trios para discutir a falta dos cordeiros, o seguro coletivo. Vamos falar também sobre como a prefeitura e o governo do estado podem, dentro do carnaval, ajudar a categoria. Nós queremos melhorar a questão da diária, dar uma dignidade para que o cordeiro não cate latinha no carnaval, não faça migração de bloco para não gerar desconforto com os associados”, disse Matias Santos, presidente do Sindcorda, em entrevista ao BNews, neste sábado (23).
“Quem detém os grandes patrocínios é a prefeitura e eu não vejo a prefeitura entrar em nada, não apresenta uma contrapartida social. Os cordeiros são invisíveis. Eles só são lembrados quando é para segurar uma corda no bloco”, complementa.
Matias Santos ressalta que, caso não seja firmado um acordo sobre as solicitações da categoria, o Ministério Público do Trabalho (MPT) pode ser acionado. De acordo com o presidente, o carnaval da capital baiana conta com cerca de 15 mil cordeiros, não atendendo a demanda da quantidade de blocos que saem durante a folia.
O dirigente aponta que a diminuição de cordeiros, que já chegaram ao número de 25 mil em Salvador, tem como um dos principais fatores a baixa remuneração.
“A diária é o pontapé inicial para que venha toda a demanda de garantia. A questão da diária é do sindicato junto com os blocos e trios. Se a gente não chegar a um denominador comum, vamos acionar o Ministério do Trabalho para que se chegue a um acordo caso a gente não tenha uma definição daquilo que os cordeiros pleiteiam na assembleia”, pontua.
“Hoje só temos cerca de 15 mil cordeiros que desfilam no carnaval de Salvador. Temos blocos de grande porte que pegam 100 cordeiros e o cordeiro acaba se sacrificando na corda. Muitas vezes ele migra de um bloco para outro devido à questão dos atrasos do trio. O cordeiro chega no percurso três horas antes do horário previsto. Ele fica duas, três, até quatro horas esperando o bloco sair. O cordeiro faz uma jornada de quase dez horas de trabalho. [....] Eu vejo é segurança pegando corda, dono de bloco com a mão na cabeça porque quer pagar menos e o cordeiro não aceita”, acrescenta.
O presidente classifica ainda como “precária” a alimentação oferecida aos cordeiros durante os dias de festa por não atender “a necessidade de um ser humano”.
“Oferecem um lanche precário que não atende a necessidade de um ser humano. O que é um biscoito e duas águas e um suco? Isso não atende todo o percurso todo”, critica.
Em 2024, o valor da diária estabelecido para os cordeiros foi de R$ 60.
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