Salvador

Veterinário reforça importância da vacinação após primeiro caso de raiva em 20 anos em Salvador: 'É a única forma de se proteger'

Jefferson Peixoto/Secom PMS
SMS confirma morte de cão por raiva após possível contato com morcego  |   Bnews - Divulgação Jefferson Peixoto/Secom PMS
Redação BNews

por Redação BNews

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Publicado em 04/12/2025, às 11h59



Após 20 anos, Salvador voltou a registrar um caso de raiva em um animal. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) confirmou, nesta quinta-feira (4), a infecção em um filhote de cão com menos de três meses de idade. Ele havia sido recolhido na região da Avenida Pinto de Aguiar e levado para o bairro de Sussuarana. Segundo a pasta, a suspeita é de que o animal tenha tido contato prévio com um morcego contaminado.

A idade do cão não permitia a aplicação da vacina antirrábica, seguindo recomendação do Ministério da Saúde. O laboratório que analisou o caso indicou que a variante do vírus AgV1 e AgV2 é compatível com a encontrada em morcegos, o que acende um alerta para a circulação viral no ambiente urbano e para o risco de transmissão por animais silvestres.

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A SMS informou, em nota, que iniciou imediatamente todas as medidas previstas em protocolos nacionais: bloqueio vacinal nas áreas por onde o animal circulou, busca ativa de pessoas e animais que tiveram contato direto ou indireto, ações casa a casa com veterinários e agentes de combate às endemias, vacinação de cães e gatos do entorno e investigações epidemiológicas. Um Alerta Epidemiológico também foi emitido para orientar unidades de saúde e serviços que atuam diretamente com animais.

Como previnir a raiva?

Em entrevista ao BNews, o veterinário Fernando Oliveira explicou que a raiva é altamente contagiosa e muitas vezes passa despercebida no início, podendo ser confundida com outras doenças, especialmente em filhotes. 

"Ninguém imagina que um filhote vá ter raiva, porque geralmente ele não transita muito, fica mais dentro de casa. Mas esse caso de agora mostra que o risco existe. O morcego não costuma atacar cães e gatos. Ele dá preferência a animais como cavalos e bois, que têm vasos maiores. Mas, quando o morgeco está caído, um cachorro ou gato pode se aproximar, morder e pegar o vírus", explicou.

Ainda de acordo com o veterinário, o vírus da raiva se aloja inicialmente nas terminações nervosas, chegando depois à região da boca, onde ocorre a transmissão. Nesse caso, existe a chance de um animal estar contaminado e ainda não apresentar sinais clínicos, mas já oferecer risco aos humanos. Em caso de agressão (mordida, arranhão ou contato com saliva) por um animal sem histórico conhecido, é imprescindível procurar imediatamente uma unidade de saúde.

"O animal pode levar até seis meses para mostrar sintomas. E, nesse período, pode transmitir a doença. Isso é perigosíssimo. Não pode esperar aparecer sintoma. Quando aparece, é fatal. Se você não sabe a procedência do animal, vá imediatamente tomar a vacina", orientou.

Sobre sinais clínicos, Oliveira ressaltou que a famosa espuma na boca é um sintoma tardio, quando o animal já está próximo da morte. "As pessoas acham que raiva só aparece assim, mas não. Antes disso, o comportamento muda: ele fica agressivo ou muito quieto. E não existe teste para confirmar raiva com o animal vivo. O diagnóstico só é feito com material do cérebro, após a morte", explicou.

O veterinário reforça que o episódio deve servir de alerta para os tutores, especialmente quando se trata de manter a vacinação do animal em dia. "A única forma de proteger é vacinar. Não existe tratamento para a raiva. É uma doença fatal, então qualquer suspeita deve ser tratada com seriedade."

Orientações:

Evite contato com morcegos, raposas, saguis ou qualquer animal silvestre, vivos ou mortos. Não existe vacina destinada a esses animais, que são protegidos por legislação ambiental. Caso encontre um desses animais em residências, comunique imediatamente o Centro de Controle de Zoonoses pelo telefone 3202-0984 ou 156.

Classificação Indicativa: Livre

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