Uma grande Feira de Saúde foi realizada na manhã desta quarta-feira (17) na Liberdade para alertar a população sobre os perigos da doença falciforme. Dois mil preservativos foram distribuídos, 40 solicitações de coleta de sangue foram realizadas, 130 pacientes aferiram pressão e 140 glicemia, e outras 80 receberam a vacina influenza. Esses foram alguns dos serviços prestados na feira, que integra a Semana sobre Doença Falciforme em Salvador, marcada por outras atividades nos postos de saúde e em outras localidades.
Segundo Lucinéia Santos, gerente do 3º Centro de Saúde Bezerra Lopes, que realizou a mobilização, o objetivo da ação é conscientizar a comunidade sobre a doença, já que a anemia falciforme é uma patologia genética e hereditária causada por uma que provoca deformidade dos glóbulos vermelhos e atinge, principalmente, a população negra. "Na maioria das vezes, só se descobre a doença em situação mais avançada, o que dificulta o tratamento", alerta a gestora da unidade, que já acompanha cinco pacientes com a doença na região.
A aposentada Joana Silva, 51, desabafa: "Eu vim para uma consulta e aproveitei a ação porque pude conversar com um profissional médico, recebi massagem nos meus pés e joelhos e, se não melhorar, já sei o que devo fazer". Já a estudante Joseana Ferreira, 18, disse: "acho essa feira bastante interessante para promover a interação da comunidade com a unidade e com própria saúde". A aposentada e a estudante estão entre as cerca de 600 pessoas atendidas em serviços diversos durante a feira.
A doença – A anemia falciforme é uma doença genética e hereditária, predominante em negros. Caracteriza-se por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirem o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme) e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre, comprometendo a oxigenação dos tecidos. Para ser portador da doença, é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe. Os principais sintomas são: dores articulares, palidez e icterícia, atraso no crescimento, feridas nas pernas, tendência a infecções, e problemas neurológicos, cardiovasculares, pulmonares e renais.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil nascem cerca de 3,5 mil crianças por ano com a doença, sendo um bebê a cada mil nascimentos. Salvador concentra o maior número de portadores da doença: a cada grupo de 650 bebês nascidos vivos, um tem a patologia, o que representa em média 65 crianças por ano. A anemia falciforme pode trazer implicações sérias e até mesmo levar o indivíduo à morte. O diagnóstico precoce, acompanhamento regular com equipe de saúde, além de suporte social podem reduzir e até evitar agravos e complicações. A doença é identificada no exame do pezinho e pode ser controlada se tratada desde cedo.
Durante a semana, diversas atividades sobre a patologia serão promovidas nos postos de saúde, além de uma sessão especial na Câmara de Vereadores, que acontece a partir das 10h de quinta-feira (18). Durante o mês de junho, o Elevador Lacerda será iluminado de vermelho em alusão à campanha. Para garantir a assistência integral ao portador na capital, a atual gestão implantou os primeiros Ambulatórios Especializados em Doença Falciforme do Brasil: no Multicentro Vale das Pedrinhas e no CAE Centro - Carlos Gomes, onde os usuários recebem atendimento ambulatorial completo, inclusive com hematologistas pediátricos e adultos específicos para o tratamento da patologia.