Saúde
Publicado em 20/01/2012, às 07h45 Juliana Rodrigues
Lázaro Azevedo, 63 anos, deu entrada na emergência do Hospital Geral Roberto Santos, há 22 dias, após perder um dedo do pé esquerdo e ser transferido da cidade de Rio Real, no interior da Bahia.

Lázaro Azevedo, 63anos, - Paciente
O paciente, que é diabético há 12 anos, alega que teve sua cirurgia adiada algumas vezes. “Fiquei em jejum vários dias. Só da semana passada pra cá, fui orientado a ficar sem alimentação na sexta-feira, segunda, terça e quarta”, disse. De acordo com o relato de Lázaro, ao questionar a equipe médica sobre o motivo de tal demora, a resposta é só uma: ”Não há equipamento”, denunciou.
A equipe de reportagem do Bocão News esteve no hospital e tentou sem sucesso falar com a diretoria. Segundo a assessora de imprensa da unidade, o atraso para reabastecimento de material se dar por conta da burocracia das licitações, porém a falta de verba foi negada. “O hospital tem recursos sim. A questão é que temos muita demanda e somos uma unidade pública”, declarou.
Questionada sobre o caso do paciente Lázaro, a assessora procurou o diretor médico da unidade hospitalar, Miguel Mota e informou que a pendência do paciente não é referente a falta de equipamentos ou verba, mas sim por uma questão de prioridade. "Não tem problema nenhum, a questão é que chegam casos mais urgentes na emergência e tem que ser atendidos", garantiu. Para alívio do senhor Lázaro e familiares, a assessoria informou que a cirurgia não deve demorar mais do "alguns dias", pois o paciente já está na lista de atendimento. "Não sei dizer o dia, mas ele será operado em breve", concluiu.
Saúde Pública
Na última segunda-feira, 16, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que regulamenta a Emenda Constitucional 29, onde os gastos mínimos da União, dos estados e municípios com a saúde pública são fixados. Pela lei, os Estado passam a ser obrigados a investir 12% da arrecadação com impostos, para qualificar a assistência aos pacientes que utilizam o serviço do SUS, em hospitais como o Roberto Santos.
O curioso, é que segundo a assessoria da unidade, esses 12% de verba já são investidos desde 2008 no hospital.
Ainda de acordo dados da assessoria, cerca de 560 pessoas dão entrada pelas portas de emergência adulta, pediátrica e obstétrica diariamente. Com um pouco mais de mil médicos e 700 leitos de internação, além dos pacientes de emergência e ambulatório, o Roberto Santos recebe grande número de transferidos, principalmente moradores de interior, seja para exame ou cirurgia.
Segurança
Além da possível falta de recurso, a segurança parece ser mais um dos problemas do hospital Roberto Santos. Durante todo o tempo em que a equipe de reportagem do Bocão News esteve presente na unidade hospitalar, não foi pedido nenhum tipo de documentação ou emissão de comunicado para os responsáveis do local.
A equipe andou livremente pelos corredores do hospital, portando os crachás do veículo de comunicação, mas sem nenhum aviso de como proceder em um local que atende todos os tipos de enfermos, incluindo os contagiosos.
Foto: Gilberto Júnior/Bocão News
Matéria publicada dia 19, às 12h
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