Saúde

Abuso sexual infantil pode causar transtorno de personalidade múltipla à vítima, diz psicólogo

Reprodução/TJPA
A Bahia registrou 1.209 estupros contra crianças e adolescentes no ano de 2019  |   Bnews - Divulgação Reprodução/TJPA

Publicado em 10/09/2020, às 18h37   Yasmim Barreto e Diego Vieira



O que deveria ser a melhor fase da vida, sem preocupações, contas para pagar e obrigações, a infância pode ser destruída e virar um verdadeiro pesadelo com o risco do abuso sexual infantil. Segundo o psicólogo Bruno Cesar, os traumas variam de mudanças súbitas de humor, depressão, isolamento social até distúrbios mais graves como o transtorno de personalidade múltipla. 

“É importante considerar que cada criança possui um padrão próprio, mas de maneira geral é possível perceber o aparecimento ou aumento considerável de comportamentos de raiva, ansiedade, evasão escolar, redução de interesses que anteriormente a criança gostava”, completou.  

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Além de acarretar todos os problemas que podem durar anos na vida da vítima, ainda há somatização de outro trauma, que é a quebra de confiança nas relações de proteção familiar. Isso porque, conforme o psicólogo, a agressão sexual “em sua maioria” é perpetrada por figura que deveriam assumir o papel de cuidar e orientar a criança.  

Script padrão do abusador

Ao BNews, o psicólogo explicou que o criminoso normalmente desenvolve um relacionamento com a vítima e depois dá uma atenção diferenciada até conseguir um local seguro e condições para ficar a sós com a criança. 

“O abusador também começa um processo de dessensibilizar a criança para o contato sexual, que inicialmente não percebe que algo errado está acontecendo. Quando a criança começa a desconfiar, o abusador usa estratégias de coação que vão desde inverter a culpa e responsabilizar a criança pelo ocorrido, passando por ameaças de que os pais não irão mais gostar dela, até ameaças a vida dos pais e da criança”, afirmou.  

Enfrentamento ao abuso sexual infantil

No combate ao abuso sexual infantil é aconselhável informar “desde a primeira infância” sobre educação sexual, informou o especialista. Para ele, o diálogo franco é necessário no combate ao crime. 

Fica como dever dos responsáveis também detectar os sinais de abusos sexuais e, consequentemente, conter o crime. De acordo com Bruno Cesar, adultos podem observar se a criança apresenta mudanças bruscas de comportamento, sinais físicos de vermelhidão ou lesões nas áreas das genitais.  

O psicólogo ainda destacou que os pais podem trabalhar com a criança desde cedo a noção de respeito pelo próprio corpo. Além de autorizar que ela diga “não” quando parentes desejarem beijar ou abraçar.  “Devem explicar desde cedo quais pessoas podem pegar nas áreas genitais e em quais situações esse contato pode ocorrer. Dessa forma ensinam sobre contatos físicos adequados e inadequados”.


“Por fim é muito importante desde o início do desenvolvimento da linguagem ensinar a criança a relatar os acontecimentos da vida dela para alguns adultos como pai, mãe e avós. Dessa forma desenvolve se uma vigilância cruzada. Ela aprende a contar as mesmas coisas, sejam elas boas ou ruins e as suas dúvidas, a alguns adultos diferentes. Dessa forma é mais provável que possíveis problemas sejam percebidos mais rapidamente e a proteção familiar sobre a criança aumenta bastante, tornando ela um alvo mais difícil para um abusador”, completou.

O que os números dizem

À reportagem, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que os números caíram quando comparados entre os anos de 2019 e 2020.

Conforme a pasta, foram contabilizados 165 estupros contra crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, em Salvador, 62 na Região Metropolitana de Salvador (RMS), interior com 982,          sendo um total de 1.209 na Bahia, no ano de 2019. 

Já em 2020, a capital baiana registrou 136 estupros, 50 na RMS, 632 no interior, totalizando 818.

Classificação Indicativa: Livre

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