Publicado em 09/05/2012, às 06h55 Caroline Gois e Redação Bocão News @goiscarol
O descaso com a saúde pública vem novamente à tona e traz a agonia de pacientes que precisam do atendimento, mas sofrem com a espera devido à falta de estrutura, medicamentos e materiais de hospitais do Estado.
Desta vez, o caso se repete no Hospital Estadual Manoel Vitorino, localizado no bairro de Nazaré, em Salvador. "Minha mãe é idosa, tem 93 anos e já espera há 15 dias por uma cirurgia", contou Josefa Alzira, que veio com a mãe do município de Ribeira do Pombal, a 271 km de Salvador.
A paciente, Josefa Alves do Nascimento está com uma fratura no fêmur há 21 dias. "Estamos tentando a transferência porque aqui falta material", revelou a filha, que disse ter obtido esta informação através dos próprios funcionários do hospital. "Há médicos e enfermeiros. Mas, o procedimento ortopédico que minha mãe precisa fazer faltam
materias, como a placa que será colocada na perna dela já que, pela idade, ela não pode usar pinos", afirmou.
Na tarde desta terça-feira (8), a equipe de reportagem do Bocão News esteve no Manoel Vitorino. Lá, a entrada só é permitida para acompanhantes e pacientes. Com isso, nossa equipe tentou falar com a diretora do hospital, Yasmin Salomão, sendo informada que ela não estava.
Mas, foi possível observar, logo na entrada, a insatisfação de alguns pacientes e acompanhantes. "Soube que alguns parentes estão se reunindo para saber o porque na demora de algumas cirurgias. Tem gente aqui que já tem 40 dias esperando", contou um denunciante que preferiu não se identificar.
Ortopedia do Manoel Vitorino
Referência em traumo-ortopedia, com cerca de 100 leitos, o Hospital Manoel Vitorino teve inaugurado, em 2008, durante a visita do ministro Temporão, o governador Jaques Wagner e o secretário Jorge Solla, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de orto-trauma, equipada com 10 leitos e operacionalizada por 72 profissionais capacitados para cirurgias de alta complexidade em coluna vertebral, ombros e bacia, segundo informações Boletim Eletrônico da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) divulgado na época.
Até o fechamento desta matéria, a Sesab não deu retorno sobre as denúncias apresentadas. Enquanto isso, dona Josefa e outros pacientes lutam contra o tempo para terem acesso ao que lhes é de direiro.
Caos na saúde pública
Dados divulgados pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (Denasus), revela que o Hospital Universitário Professor Edgard Santos (Hupes) – o Hospital das Clínicas –, opera com déficit de 1.335 servidores e destina 57% (R$ 2,5 milhões) da receita para pagar, “ilegalmente”, terceirizados.
São apontados, ainda, “baixo faturamento do hospital, em função da ociosidade de sua capacidade”, aplicação inadequada de verbas, falta de leitos de UTI e subutilização do centro cirúrgico e das unidades de hematologia, oncologia e transplante de medula.
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Secretário de Saúde acionado
Uma recomendação dos Ministérios Públicos Estadual (MPE) e de Contas (MPC) promete reacender as discussões em torno do relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que apontou diversas irregularidades cometidas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).
As procuradoras do MPE, Rita Tourinho e Heliete Rodrigues, junto com o procurador Marcel Siqueira Santos do MPC, assinam o documento que já foi entregue, segundo ao secretário Jorge Solla, no qual recomendam e notificam o chefe da pasta para que se abstenha de:
Conceder anuência para a contratação de empréstimos bancários entre as Organizações Sociais e instituições financeiras; de dar em garantia de erpéstimos firmados entre as Organizações Sociais, pactuadas com o Estado, e Instituições Financeiras os recursos vinculados a contratos de gestão e; de depositar diretamente os recursos vinculados aos contratos de gestão em contas de qualquer instituição financeira, que tenham como objetivo quitar empréstimos bancários tomados por Organizações Sociais perante Instituições Financeiras.
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