Saúde
por Cibele Gentil
Publicado em 14/05/2026, às 17h20
A multinacional Unilever denunciou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) a contaminação microbiológica em produtos da Ypê meses antes da suspensão determinada pela agência reguladora. A empresa, que é dona de marcas como Omo, Comfort e Cif, alertou os órgãos contra itens líquidos fabricados pela concorrente Química Amparo.
Amostras analisadas
Em uma das denúncias, protocolada em outubro de 2025, a Unilever afirmou que identificou presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa/paraaeruginosa em quatro lotes de produtos Tixan Ypê Express. De acordo com o documento, foram realizadas análises internas e testes realizados pelo laboratório Charles River.
Ainda segundo os documentos, foram analisados produtos das versões “Cuida das roupas” e “Combate mau odor”, com validade até junho de 2027. A empresa afirmou que os produtos apresentavam “desvio microbiológico relevante” e citou “iminente risco à saúde e segurança dos consumidores”.
Segunda denúncia
Já em março de 2026, uma nova denúncia foi apresentada. Desta vez, a Unilever afirmou que outros 14 lotes de produtos da linha Ypê foram analisados pelo laboratório Eurofins e também teriam apresentado contaminação microbiológica. Segundo o documento, os novos lotes incluíam versões Tixan Ypê Primavera, Tixan Ypê Maciez, Tixan Ypê Express, Ypê Power Act e até um lote de detergente Ypê Lava-Louças Neutro.
Todos os lotes teriam a presença de Pseudomonas aeruginosa, mesma bactéria citada nas análises anteriores e nos produtos que posteriormente foram alvo de recall determinado pela Anvisa. Além disso, a denúncia informava que sete dos 14 lotes analisados teriam contaminação de outras bactérias, incluindo Klebsiella pneumoniae, Acinetobacter baumannii e diferentes espécies do gênero Pseudomonas. Segundo a denúncia da Unilever, muitos desses microrganismos também poderiam representar risco à saúde humana.
Verificação da agência
Após as denúncias, a Anvisa realizou inspeções na fábrica da Química Amparo, no município de Amparo, em São Paulo. A agência determinou recentemente a interrupção da fabricação e comercialização de produtos líquidos produzidos no complexo industrial, incluindo detergentes, lava-roupas e desinfetantes. Informação sobre as denúncias foi publicada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo g1, que teve acesso aos documentos enviados pela multinacional à Senacon.
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