Saúde

"Eu sobrevivi": mulheres relatam luta contra câncer de mama em diferentes fases da vida

Foto: Reprodução / Arquivo pessoal / BNews
Mulheres compartilham suas experiências e desafios após o diagnóstico de câncer de mama, revelando força e resiliência durante o momento delicado  |   Bnews - Divulgação Foto: Reprodução / Arquivo pessoal / BNews
Natane Ramos

por Natane Ramos

Publicado em 03/10/2026, às 06h00



Receber o diagnóstico de câncer de mama é uma realidade difícil que transforma a vida das mulheres. Juntamente à confirmação da doença, vem o medo, as mudanças na rotina e os desafios do tratamento. 

Pensando no impacto do diagnóstico e na trajetória da luta contra o câncer de mama, o BNews entrevistou mulheres que enfrentaram a doença em diferentes fases da vida.

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"Foi a pior fase da minha vida."

Em entrevista ao BNews, a personal trainer e influenciadora digital Vanessa Pessôa contou que descobriu o diagnóstico em 2016, um ano após ter entrado para a Marinha do Brasil como educadora física.

Vanessa relata que não tinha histórico familiar e que sua vida se transformou após o diagnóstico. "Fui diagnosticada com câncer de mama um ano depois e acabei sendo reformada (aposentada)", declarou a educadora física, que foi diagnosticada aos 30 anos.

Durante a entrevista, Vanessa revelou que precisou abrir mão da carreira para focar na saúde, fazendo tratamento de hormonioterapia após a retirada da mama. "No ano seguinte que fui diagnosticada, minha avó recebeu o diagnóstico de câncer no reto. Foi a pior fase da minha vida. Me mudei para ficar ao lado dela. Em 2018 adiei meu casamento religioso para esperar o tratamento pesado dela acabar, para que ela fosse minha dama de honra e pudesse aproveitar o máximo o meu casamento e a missão foi cumprida. 2019 ela faleceu", revelou.

Vanessa não está mais em tratamento contra a doença e refletiu sobre as mudanças após essa difícil jornada. "Eu não estou mais em tratamento, apenas acompanhamento. Após o diagnóstico tudo mudou", declarou.

"Existe uma nova Vanessa Pessôa. Passei por mastectomia, hormonioterapia e três cirurgias, e cada uma delas deixou marcas físicas e emocionais, mas nenhuma marca afetou o meu psicológico. Acho importante dizer que existe uma romantização de que, depois que o tratamento acaba, a mulher simplesmente vira a página. Não é bem assim que funciona. O tratamento pode terminar, mas algumas marcas continuam. Existe o medo dos exames, a ansiedade diante de qualquer sintoma e aquela pergunta que muitas mulheres carregam: 'E se voltar?'. Então, para mim, reconstruir a relação com o corpo foi também reconstruir a relação com a própria vida", revelou.

"A vida não volta ao normal. É um novo normal."

O BNews também entrevistou a publicitária, artista e criadora de conteúdo Karlota Almeida, que trouxe uma nova perspectiva sobre o diagnóstico de câncer de mama, mostrando que cada mulher tem uma forma de encarar o momento delicado.

"Eu ainda não terminei o tratamento, mas eu já posso te falar que não. A vida não volta ao normal. É um novo normal. Tudo muda. O nosso metabolismo muda, a nossa mente muda, a nossa vivência muda, o nosso círculo social muda, porque algumas pessoas realmente se afastam", declarou.

Karlota destacou a importância de valorizar a vida. "A vida é um sopro e a nossa vida é muito preciosa, então, nada será como antes. Tudo muda. E, às vezes, é até meio pesado de falar, mas muitas coisas na minha vida mudaram para melhor, muitas coisas", contou.

Ela revelou que faz o tratamento há dois anos e meio. No entanto, antes do diagnóstico, Karlota revelou que passou por um Burnout em 2016, além de ter tentado suicidar, quando ainda morava em Belo Horizonte.

Sem emprego e desestabilizada emocionalmente, Karlota viajou para o Espírito Santo e depois veio para a Bahia. Em Itacaré, ela se reencontrou, mas também deu início à luta contra o câncer de mama. "Estava em Itacaré quando esse caroço que eu já tinha no seio cresceu de uma hora para outra e um ex-namorado falou, né, acendeu uma luzinha em mim falando que eu deveria olhar esse caroço que não estava normal", declarou.

"A partir daí começou meio que uma corrida, porque eu já sabia que seria um câncer, eu já tive essa certeza. A hora que ele me falou isso já acendeu uma luz, eu falei, é realmente isso aqui é um câncer", relembrou.

Karlota reflete sobre as expectativas para o futuro. "Eu quero terminar o tratamento com uma nova profissão e realizada nessa profissão e encaminhando para viajar o mundo, que é o meu sonho, viajar e conhecer todos os lugares antes que o mundo acabe", concluiu.

"Precisava continuar vivendo."

Ao BNews, Kátia Oliveira comentou que a sua história com o câncer começou em 2020, e que junto ao diagnóstico vieram medos e inseguranças sobre o seu futuro.

"Receber o diagnóstico de câncer de mama foi como ter o chão arrancado dos meus pés. Eu tinha medo. Muito medo. E, ao mesmo tempo, precisava continuar vivendo, trabalhando, cuidando das pessoas que eu amava e tentando entender tudo o que estava acontecendo comigo", declarou.

Em meio a consultas, exames, cirurgias e tratamentos, Kátia revelou o impacto físico e emocional do combate à doença, e como encontrou forças para enfrentar o diagnóstico. "Eu descobri que existe uma força que a gente não sabe que tem até precisar dela. Mas também descobri que não precisava ser forte todos os dias. Chorei. Tive medo. Questionei. Me senti cansada. Tive dias em que quis simplesmente esquecer que era uma paciente oncológica", declarou.

Kátia declarou que encontrou na fé um espaço de conforto durante o momento delicado em sua vida. "E foi nesse processo que minha fé se tornou ainda mais importante para mim. Eu acredito que Deus me sustentou em cada etapa. Houve momentos em que eu não tinha respostas, mas tinha fé para continuar caminhando", declarou.

"Hoje, quando penso na mulher que recebeu aquele diagnóstico em 2020, sinto vontade de abraçá-la. Dizer para ela que ela não precisava saber naquele momento como tudo terminaria. Que ela só precisava continuar. Um dia de cada vez. E foi isso que eu fiz. Hoje eu não digo que o câncer me tornou mais forte. Prefiro dizer que ele me ensinou a reconhecer a força que já existia dentro de mim. Eu sobrevivi a dias que pensei que não conseguiria atravessar. E hoje, mais do que celebrar cinco anos, eu celebro a vida. Eu estou aqui. Estou viva. Estou livre. E continuo vivendo — um dia de cada vez", declarou.

Classificação Indicativa: Livre

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