Saúde

Mãe pede ajuda após filha autista contrair chikungunya, desenvolver paralisia e ter exames negados por plano

Arquivo pessoal
Yasmin Ribeiro, diagnosticada com TEA, perdeu mobilidade e audição após chikungunya, enfrentando novos desafios de saúde.  |   Bnews - Divulgação Arquivo pessoal
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 13/03/2025, às 12h00 - Atualizado às 12h30



Uma jovem de 15 anos, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3, tem enfrentado uma longa batalha desde de 2023, em decorrência de complicações após contrair chikungunya. Diagnosticada com autismo aos quatro anos, Yasmin Ribeiro não consegue andar normalmente tendo perdido a movimentação do braço e perna esquerdos, além da visão e parte da audição, novamente, do lado esquerdo do corpo após se recuperar da doença.

No momento, a jovem precisa realizar uma série de exames, que superam R$ 20 mil para que seja descoberta a doença responsável pelos danos à visão e à audição. A suspeita médica é que a jovem possa ter contraído esclerose múltipla, neuromielite e encefalite — doenças autoimunes que fazem com que o sistema imunológico ataque os próprios tecidos e órgãos do corpo.

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Em entrevista ao BNews, a mãe de Yasmin, Ana Grasielle Ribeiro, de 35 anos, destacou que os médicos também suspeitam que a menina possa ter desenvolvido uma doença neurológica conhecida com desmielinização progressiva — que danifica a bainha de mielina dos neurônios impedindo que os nervos sejam capazes de conduzir corretamente as mensagens para o cérebro.

Moradora do bairro do Rio Sena, no Subúrbio de Salvador, Ana Grasielle é dona de casa e mãe solo. Por conta de problemas financeiros, a mãe criou uma campanha para arrecadar fundos para realizar os exames prescritos pelos médicos (clique aqui e saiba como ajudar).

Em conversas com o BNews, a mãe informou que precisou pegar um empréstimo de mais de R$ 6 mil para a realização de exames iniciais, porque o procedimento foi negado pelo plano de saúde Unimed. Em resposta, o plano informou que o procedimento “não possui cobertura obrigatória pela operadora, pois não conta no Rol de Procedimentos definido pela Agência Nacional de Saúde (ANS)”.

Unimed
Resposta do plano de saúde Unimed após a negativo do procedimento

Uma amiga me emprestou esse valor. Ela me disse que poderia ir pagando aos poucos, mas infelizmente eu não sei se vou conseguir. Eu tô morrendo de medo, porque a única renda que temos é o benefício dela, no qual eu pago o plano de saúde e as contas. Em muitas vezes, não sobra. Eu sou mãe solo, não tenho rede de apoio”, afirmou a mãe.

Ana Grasielle contou à reportagem do BNews que, após a menina se recuperar da chikungunya, ela começou a apresentar um quadro grave de febre por repetidas vezes, além de uma mudança de comportamento estranho — o que gerou estranheza.

Em 2023, Yasmin teve chikungunya no mês de junho. Daí ela fez o tratamento com a reumatologista durante três meses. Porém, em novembro, minha filha começou a apresentar febre e muita dor de cabeça, e passou a andar na ponta dos pés”, afirmou a mãe.

A partir daí, Yasmin começou a apresentar sinais de danos motores. Como  a situação persistiu, Ana Grasielle foi orientada a internar a filha. A jovem ficou sob os cuidados do Hospital Português, na Barra, entre abril e dezembro de 2024. Durante seis meses, Yasmim permaneceu acamada, tendo apresentado “melhora discreta da dor após pulsoterapia com suspeita inicial de encefalite autoimune”.

No entanto, após a alta, Yasmim voltou a apresentar complicações e, precisando ser novamente internada. Ainda em dezembro, a jovem foi hospitalizada no Hospital MaterDei, na Avenida Vasco da Gama, com quadro de mioclonias. Ela apresentava sinais de doença inflamatória ou infecciosa, após exame na coluna, além de problemas na visão e audição.

Após receber alta ao final de 2024, e novamente apresentar agravo no quadro clínico, Yasmim foi internada no Hospital Jorge Valente, na Avenida Anita Garibaldi, em fevereiro, onde permanece até esta quinta-feira (13). A previsão é que a jovem receba alta ao longo do dia e siga o tratamento em casa, por orientação médica.

O seu estado é de muita vulnerabilidade, a mãe não possui rede de apoio, o acesso ao domicílio requer o uso de escadarias, e o seu quadro é subagudo, com indicativo de doença em atividade, o que inviabiliza o tratamento ambulatorial”, afirma o boletim médico.

Classificação Indicativa: Livre

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