Saúde

Sinal no cérebro pode identificar Alzheimer anos antes dos sintomas; entenda

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Pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida identificam proteína que pode sinalizar Alzheimer antes da manifestação clínica da doença  |   Bnews - Divulgação Freepik
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 06/10/2025, às 16h02 - Atualizado às 21h31



Pesquisadores da Universidade Internacional da Flórida (EUA) identificaram uma proteína cerebral que pode sinalizar o Alzheimer muito antes da manifestação clínica da doença. O estudo, publicado na Acta Neuropathologica, fornece indícios valiosos sobre o início da neurodegeneração e abre caminho para diagnósticos precoces. 

Nos experimentos com camundongos, os cientistas notaram níveis elevados na proteína TSPO já nas primeiras semanas de vida, o equivalente, em termos humanos, a idades entre 18 e 20 anos. Esse fenômeno se manifestou especialmente no subículo, uma região cerebral ligada à memória.

Além disso, ao examinar amostras cerebrais humanas de indivíduos com mutações genéticas que provocam Alzheimer precoce (entre 30 e 40 anos), encontraram padrão semelhante de alta expressão de TSPO.  As amostras foram obtidas post-mortem de nove pessoas na Colômbia que portavam essa mutação.

Os autores do estudo destacam que a neuroinflamação pode surgir muito antes dos sintomas cognitivos típicos, e a TSPO estaria envolvida nesse processo inicial. Se essa proteína puder servir como biomarcador confiável nos estágios iniciais da doença, seria possível adiar ou retardar o aparecimento dos sintomas em cinco ou seis anos, o que representa uma janela valiosa para intervenções.

Os pesquisadores observaram ainda que o aumento da TSPO ocorreu principalmente em células chamadas microglia, que, ao interagirem com placas de beta-amiloide, podem perpetuar um estado inflamatório no cérebro em vez de eliminar essas placas. 

Ainda que o estudo se concentre em formas genéticas raras de Alzheimer precoce, que representam apenas uma fração dos casos, os resultados podem trazer insights importantes para a forma mais comum da doença. Os autores lembram que um dos desafios enfrentados no Alzheimer é o diagnóstico tardio, muitas vezes somente quando os danos cerebrais já estão avançados.

 A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva. Com o tempo, provoca declínio nas funções cognitivas (memória, linguagem, raciocínio) e interfere nas atividades cotidianas. Os mecanismos associados envolvem acúmulo de proteínas anormais e perda de neurônios em regiões com hipocampo e córtex.

Embora a causa exata da doença ainda não esteja completamente esclarecida, há forte evidência de participação genética em muitos casos. A forma de Alzheimer de início precoce (antes dos 65 anos) é rara, representando somente uma pequena parcela dos casos, mas tem sido foco de estudos para entender melhor os estágios iniciais da doença. 

No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento integral e multidisciplinar para portadores de Alzheimer, com acesso a medicamentos que retardam a evolução dos sintomas. 

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