Saúde

Câncer de mama tem cura, mas chances de sucesso variam conforme o estágio da doença

Pacientes em estágio inicial tem cerca de 95% de chances de tratarem a doença - Magnific
Médicas e especialistas regionais explicam como o tamanho do tumor e a localização dele no corpo da mulher interfere no processo de cura da doença  |   Bnews - Divulgação Pacientes em estágio inicial tem cerca de 95% de chances de tratarem a doença - Magnific


No Outubro Rosa discute-se muito a importância do diagnóstico cedo do Câncer de Mama para as mulheres e para um tratamento mais eficaz. Contudo, no fim das contas, o que está de fato em jogo é a cura da doença, o que já é possível dependendo da gravidade em que ela se encontra. Médicas e especialistas com atuação em Salvador esclareceram as principais dúvidas e complexidades do que é essa cura e para que perfil de paciente ela é uma realidade.  

A dra. Ana Amélia Viana, oncologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e especialista em tumores de mama, explica que o câncer realmente tem cura. No entanto, é preciso lembrar que não se trata de uma doença única, e sim de um grupo com vários tipos e estágios, o que dificulta a existência de uma melhora uniforme para todos os casos.

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“O câncer de mama é muito heterogêneo e para cada doença é necessário um remédio diferente. Então desconfie quando alguém disser que conseguiu a cura do câncer de mama ou a cura do câncer no geral, porque nunca vai ter um remédio que sirva para tudo”, alerta a médica.

A classificação mais utilizada pelos médicos para entender o tipo da doença é definida pelo sistema TNM, desenvolvido pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC). Ele facilita a compreensão da gravidade clínica do paciente para que haja um tratamento mais adequado. 

O TNM avalia o tamanho do tumor e se a localização dele se restringe às mamas; atinge linfonodos (responsáveis pela defesa do organismo e a drenagem da linfa na região das axilas e mamas); ou se também aparece em outras partes do corpo. Após a análise, o estágio pode ser definido de 0 a 4. Quanto maior o número, mais avançada a doença está e mais difícil é conseguir a cura. 

Estágios 0, 1 e 2: as células cancerígenas estão concentradas na mama.

Estágio 3: o câncer consegue comprometer significativamente quatro ou mais linfonodos e/ou se espalha para outros tecidos da mama. É o tipo conhecido como 'doença localmente localizada'. 

Estágio 4: a doença atinge outros órgãos do corpo e a opção de tratamento se restringe a controlar os sintomas e oferecer uma vida mais tranquila para a mulher. Ela é conhecida como metastático. 

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De acordo com a vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Mastologia, Dra. Gabriela de Arruda Oliveira, é por isso que os tumores identificados precocemente permitem taxas de sobrevida mais altas. Para esses pacientes em estágio inicial, pode chegar a 95%. 

“Realmente existe a cura e é muito gratificante falarmos disso, mas ela ainda é limitada no sentido de necessidade de diagnóstico precoce. No Brasil, dois terços das mulheres são diagnosticadas com tumores maiores do que 5 cm e com comprometimento axilar, o que torna o processo de cura mais difícil. No caso de tumores menores do que 2 cm, sem linfonodo axilar, as sobrevidas atingem porcentagem muito maiores”, afirma. 

Esse foi o caso de Michelle Ribeiro, de 45 anos, curada do câncer triplo-negativo em estágio inicial, a partir da quimioterapia e imunoterapia. Ela foi diagnosticada em 2021 e hoje passa pela pós-doença. “Eu fiz todo o tratamento e o nódulo desapareceu 100%. Cheguei a fazer a cirurgia da mama, mas essa etapa já era a conclusão do processo. Os próprios dois tipos de terapia pelos quais passei já resultaram em sucesso total. Venho acompanhando de 6 em 6 meses e, graças a Deus, realmente é o que está comprovando a cura”, relatou a mulher. 

Para a médica, a cura é fruto do avanço nos tratamentos e terapias-alvo da atualidade. Ela também destaca que um dos principais avanços da oncologia é o acompanhamento médico pós-melhora.

“Se eu pudesse dizer, além da medicina de precisão, qual é o outro maior avanço da oncologia, seria esse olhar para as sobreviventes. Depois da cura, elas passam por várias outras questões e precisamos ajudá-las. Esse novo olhar traz ganhos para as pacientes e, para a especialidade, um olhar mais humanizado”, concluiu. 

Classificação Indicativa: Livre

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