Saúde
por Analu Teixeira
Publicado em 28/11/2025, às 06h00
Durante anos, Miguel Ferreira, de 56 anos, dizia que não precisava de médico. Mesmo quando a família insistia para ele fazer exames de rotina, a resposta era sempre a mesma: “Homem que é homem não vive de médico.”
A resistência só terminou quando ele começou a sentir dificuldades para urinar, e mesmo assim, só procurou ajuda depois de muita insistência da filha, Daniela Ferreira, de 27 anos.
“Ele sempre foi muito teimoso. Dizia que era só cansaço, que não tinha tempo. Quando finalmente foi ao médico, descobriu um câncer de próstata ainda no começo. Se tivesse esperado mais, poderia ter sido bem pior”, contou Daniela, em entrevista ao BNews.
Miguel iniciou o tratamento imediatamente e hoje está bem, em acompanhamento médico regular.
“Ele mesmo fala que aprendeu da forma mais difícil que cuidar da saúde não é sinal de fraqueza. Agora, é ele quem cobra os amigos a fazerem os exames”, completou a filha.
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“O homem ainda tem vergonha de se cuidar”, diz especialista
Para o Dr. Nilo Jorge Leão, coordenador do Serviço de Urologia do Hospital Mater Dei Salvador e do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica, a história de Miguel é o retrato de uma realidade cultural: o machismo ainda afasta muitos homens do consultório.
“O homem tende a procurar o médico só quando tem sintomas. É educado para ser forte, para não demonstrar dor ou fragilidade, e isso é um erro. O câncer de próstata, assim como muitas outras doenças, é silencioso nas fases iniciais”, explica a urologista.
De acordo com ele, a prevenção é a melhor arma: “Quando o diagnóstico é precoce, as chances de cura se aproximam de 100%. O problema é que muitos ainda chegam ao consultório com a doença em estágio avançado, justamente por vergonha ou preconceito."
Uma nova forma de enxergar o cuidado
Depois da recuperação, Miguel mudou completamente sua postura. Segundo Daniela, o pai passou a participar de campanhas do Novembro Azul e a conversar com familiares sobre a importância da prevenção.
“Ele percebeu que se cuidar é um ato de amor com a família, com a vida. Agora, faz questão de ir ao médico todos os anos. Acho que essa é a maior vitória.”
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O Dr. Nilo reforça a mensagem: “Precisamos desassociar o cuidado da ideia de fraqueza. O homem que se cuida vive mais, com mais qualidade e autonomia. Isso é força, isso é coragem.”
O Novembro Azul reforça o papel da informação como ferramenta de transformação. Histórias como a de Miguel mostram que romper o silêncio e o medo pode salvar vidas. Prevenir é, antes de tudo, um gesto de amor-próprio.
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