Saúde
por Analu Teixeira
Publicado em 07/10/2026, às 20h55
Perder 10, 15 ou até 20 quilos e ainda continuar com a barriga aparente pode parecer contraditório, mas o número mostrado pela balança não conta toda a história do emagrecimento. A redução de peso pode envolver gordura, água e massa muscular, e a proporção entre esses componentes influencia diretamente o resultado no corpo.
Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui
Segundo o médico, pesquisador e professor Gabriel Almeida, duas pessoas podem perder a mesma quantidade de peso e apresentar resultados bastante diferentes. “A balança mostra quanto você pesa, mas não mostra, isoladamente, o que você está perdendo. Duas pessoas podem perder os mesmos 10 quilos e ter resultados completamente diferentes no espelho, na saúde e na capacidade física”, explica.
A gordura abdominal também possui características diferentes, a gordura subcutânea fica logo abaixo da pele, enquanto a gordura visceral se concentra em uma região mais profunda, ao redor dos órgãos. A distribuição também pode ser influenciada por fatores como genética, idade, alterações hormonais, qualidade do sono e sedentarismo.
Por isso, para quem já emagreceu e continua insatisfeito com o abdome, a solução nem sempre é tentar perder ainda mais peso. Uma das estratégias possíveis é a chamada recomposição corporal, que busca reduzir gordura e, ao mesmo tempo, preservar ou aumentar a massa muscular.
“Às vezes, o paciente não precisa perder mais cinco quilos. Ele precisa melhorar a qualidade desses quilos que já tem”, afirma Gabriel.
Nesse processo, a pessoa pode apresentar mudanças importantes nas medidas mesmo sem uma grande alteração na balança. De acordo com o especialista, é possível que um paciente retorne ao consultório praticamente com o mesmo peso, mas apresente redução na cintura, roupas mais folgadas e uma aparência corporal diferente.
A estratégia pode envolver treinamento de força, alimentação adequada, ingestão suficiente de proteínas e ajustes individualizados de acordo com as condições metabólicas e hormonais de cada paciente.
Outro ponto de atenção é a preservação da massa muscular durante o emagrecimento. Além de contribuir para força e funcionalidade, o músculo participa do metabolismo da glicose e do gasto energético.
“Não basta perder gordura. Precisamos também preservar o músculo que dá sustentação, funcionalidade e forma ao corpo”, destaca o médico.
A tentativa de acelerar o processo por meio de dietas extremamente restritivas pode favorecer justamente a perda de massa muscular. Outro equívoco comum é acreditar que exercícios abdominais conseguem eliminar especificamente a gordura acumulada na barriga.
“O abdominal é importante para fortalecer a musculatura, mas não existe uma relação direta entre exercitar determinada região e perder gordura especificamente naquele local. A redução da gordura abdominal depende de um conjunto de fatores”, explica.
Além disso, a aparência do abdome após o emagrecimento pode estar relacionada a situações que não serão necessariamente resolvidas com uma nova perda de peso, como flacidez, diástase abdominal ou excesso de pele.
Por isso, antes de tentar reduzir ainda mais o número da balança, o especialista recomenda avaliar o que de fato está acontecendo com o corpo.
“Será que ainda existe um percentual elevado de gordura corporal? Será que houve uma perda importante de massa muscular durante o emagrecimento? Estamos diante de gordura visceral, gordura subcutânea ou até de flacidez e excesso de pele? São situações diferentes, que exigem abordagens diferentes”, explica Gabriel.
Segundo o médico, a avaliação da composição corporal pode ajudar a definir uma estratégia mais adequada para cada caso. “O mais importante é compreender que existe uma diferença muito grande entre emagrecer e alcançar o corpo que você deseja, com saúde. E é justamente essa diferença que precisa orientar o tratamento”, conclui.
Classificação Indicativa: Livre
Imperdível
Cozinha Saudável
Super desconto
Fone top
Computador lento?