Saúde
No contexto do Setembro Amarelo, a atenção volta-se não apenas para quem enfrenta o sofrimento emocional, mas também para familiares e amigos que desejam oferecer apoio de forma cuidadosa e eficaz.
Especialistas reforçam que, nesses momentos, o mais importante é praticar o acolhimento, sem julgamentos, e estar presente de maneira respeitosa. Em entrevista ao BNews, a psicóloga Geane Santos explicou que a dor emocional é de difícil interpretação, pois cada pessoa compreende e vivencia o sofrimento de forma única.
“Apoiar alguém parte do lugar de como eu entendo a situação e não como aquela pessoa entende. Por isso, a complexidade de entender o sofrimento. Querer ofertar ao outro o que eu acredito ser o que ele precisa, na maioria das vezes, não ajuda”, afirmou.
Para Santos, a melhor forma de apoiar alguém em sofrimento é por meio do acolhimento, da validação e da presença. "Ouça sem julgar, isso significa ouvir atentamente, sem interromper, sem dar conselhos ou contar sua própria experiência. Evite frases que minimizam a dor, porque invalidar o que a pessoa está sentindo só a faz se sentir culpada ou inadequada. Outra atitude importante é estar presente e respeitar o espaço: muitas vezes, apenas sentar ao lado e demonstrar disponibilidade já transmite segurança e acolhimento”, orientou.
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Já a psicóloga Luciene Figueiredo, doutora em Família e Sociedade, reforçou que a palavra-chave é "acolher”, facilitando o processo da pessoa de entender o momento que está passando e deixando-a mais confortável.
“A gente deve oferecer ajuda perguntando: ‘como eu posso te ajudar?’. Essa postura abre espaço para que a pessoa se sinta respeitada e compreendida. Por outro lado, é fundamental evitar frases como ‘a vida vale a pena’, ‘você tem a vida toda pela frente’ ou ‘tem tanta gente doente querendo viver e você está reclamando’. Essas expressões, em vez de confortar, aumentam a sensação de culpa e desespero de quem sofre”, alertou.
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Segundo Figueiredo, frases minimizadoras podem agravar ainda mais o estado emocional de quem já se sente em sobrecarga: “Essas falas transmitem a ideia de que a dor não é legítima, e isso pode ser extremamente prejudicial. O acolhimento deve vir acompanhado da indicação de ajuda profissional, pois é fundamental que essa pessoa receba atendimento psicológico e psiquiátrico o quanto antes.”
A importância da escuta ativa
Mais do que falar, estar disponível para ouvir é uma das formas mais poderosas de apoiar alguém em momentos delicados. A escuta ativa, sem pressa, sem julgamento e sem interrupções, permite que a pessoa sinta-se valorizada e compreendida. Pequenos gestos de presença, como estar ao lado ou demonstrar disponibilidade, já transmitem a mensagem de que ela não está sozinha.
Para familiares e amigos, o desafio é lidar com a angústia de ver alguém próximo sofrer, mas sem transformar essa preocupação em pressão ou cobrança. O apoio saudável deve vir acompanhado de empatia e compreensão, reconhecendo que cada pessoa sente e expressa sua dor de forma única.
Não apenas durante Setembro Amarelo, estar ao lado de quem enfrenta fragilidades emocionais exige respeito, paciência e disponibilidade. Mais do que palavras prontas, é a escuta, a presença e a busca por ajuda profissional que podem fazer a diferença no caminho da superação.
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Centro de Valorização da Vida
O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.
Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.
Atendimento gratuito
Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental.
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