Saúde

Setembro Amarelo: Saiba do que se trata a campanha e por que é tão importante

Tânia Rêgo/Agência Brasil
Setembro Amarelo é marcado, anualmente, por campanhas de atenção à saúde mental  |   Bnews - Divulgação Tânia Rêgo/Agência Brasil
Vagner Ferreira

por Vagner Ferreira

Publicado em 19/09/2025, às 06h00



O Setembro Amarelo é marcado, anualmente, por campanhas de atenção à saúde mental. A iniciativa surgiu em 1994, com a morte de um jovem norte-americano, e foi oficializada no Brasil em 2015, em comum acordo entre a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde então, as ações têm se expandido em escolas, empresas, espaços públicos e na mídia, com o objetivo de quebrar o silêncio em torno do sofrimento psicológico e estimular o cuidado com a vida.

“A iniciativa contribui para romper o silêncio e o estigma que ainda cercam os transtornos mentais e o sofrimento psíquico. Trata-se de um movimento que busca conscientizar a sociedade sobre a importância do cuidado com a saúde mental, estimular o diálogo aberto e encorajar as pessoas a buscarem apoio em momentos de vulnerabilidade”, disse a psicóloga e coordenadora do programa de Depressão da Holiste, Ethel Poll, em entrevista ao BNews

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Entre seus objetivos centrais, destacam-se a informação sobre os sinais de alerta, que podem indicar risco de suicídio, o fortalecimento das redes de apoio entre familiares, amigos e profissionais de saúde, além do incentivo à procura por ajuda especializada. Ao mesmo tempo, a campanha contribui para impulsionar políticas públicas e ações institucionais voltadas à valorização da vida”, completou. 

Principais sinais de alerta

A psicóloga alerta que é necessário estar atento aos sinais, que podem variar de pessoa para pessoa, sendo emocionais, comportamentais e até verbais. Os principais sintomas são:

  • Isolamento repentino;
  • Perda de interesse em atividades antes prazerosas ou queda no desempenho escolar/profissional, isso acompanhado de verbalizações que indicam falta de sentido para a vida;
  • Sentimento de inutilidade ou de ser um fardo para os outros ou referência a planejamento de morte; 
  • Alterações emocionais intensas, como tristeza profunda, irritabilidade frequente, crises de choro ou ansiedade exacerbada, aliada a comportamentos de risco como uso abusivo de álcool ou drogas, automutilação, descuido com a própria segurança e saúde.

“É importante destacar que, muitas vezes, não é um único sinal isolado, mas a associação de diversos fatores que deve despertar maior atenção, especialmente quando há histórico ou quadro prévio de adoecimento mental, como depressão, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade, uso de substâncias psicoativas e quadros psicóticos”, afirmou Ethel.

A psicóloga destacou que é importante que familiares, amigos e colegas de trabalho estejam atentos e ofereçam escuta ativa, acolhimento e incentivo para que a pessoa busque ajuda especializada. Assim, o reconhecimento precoce permite uma intervenção com mais brevidade, que pode resultar em apoio e no devido encaminhamento para ajuda especializada. “Essa intervenção pode ser decisiva para a preservação da vida”, afirmou.

Ao BNews, a comunicóloga Milena D’Anunciação contou como a escuta ativa foi importante em uma fase de sua vida. "O Setembro Amarelo é muito importante porque facilita o acesso a psicólogos que, infelizmente, são muito caros. E nesses momentos, o SUS investe com serviços até mesmo gratuitos, e é muito importante ter alguém para estar lá e ouvir, sem me julgar, porque o que na verdade a gente quer é acabar com a dor e não com a vida”, relatou.

Campanhas de conscientização

As campanhas de conscientização tem como objetivo reduzir o estigma que ainda recai sobre os transtornos mentais e sobre as pessoas que enfrentam qualquer tipo de sofrimento psíquico, ajudando, assim, a desconstruir preconceitos, mitos e estereótipos historicamente associados às doenças mentais.

“Por meio da valorização do diálogo franco e da escuta acolhedora e sem julgamentos, tais campanhas estimulam a empatia e reforçam a ideia de que buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. Além disso, ampliam a compreensão social de que os transtornos mentais têm impacto real na vida das pessoas, mas podem ser tratados com acompanhamento especializado”, disse Ethel. 

Ao quebrar barreiras de silêncio e preconceito, essas iniciativas ampliam o entendimento sobre a saúde mental, criam um ambiente social mais inclusivo, solidário e propício ao entendimento à valorização da vida e à prevenção do suicídio”, complementou.

A psicóloga ainda ressalta, no entanto, que as campanhas não devem se limitar apenas ao mês de setembro: “O diálogo permanente ao longo do ano é essencial para a ampliação do entendimento sobre saúde mental, para a construção de uma sociedade mais consciente, acolhedora e solidária, capaz de oferecer escuta, suporte e acompanhamento contínuo a quem necessita. Assim, o Setembro Amarelo se consolida não apenas como uma campanha anual, mas um convite à reflexão e à ação permanente em prol da valorização da vida e da promoção da saúde mental”.

Centro de Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias.

Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional.

Atendimento gratuito

Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental.

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