Saúde

Setembro Amarelo: Solidão, perdas e preconceito: os desafios emocionais do envelhecimento

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Mudanças físicas e preconceito etário podem impactar a saúde emocional dos idosos. Especialista destaca a importância da escuta e da rede de apoio  |   Bnews - Divulgação Reprodução/FreePik
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 22/09/2025, às 06h00



O Brasil envelhece rapidamente. Segundo dados do IBGE, a população com mais de 60 anos deve ultrapassar os 30% até 2050. Com o aumento da expectativa de vida, cresce também a necessidade de olhar não apenas para a saúde física, mas também para a saúde mental dos idosos - um tema que ainda enfrenta tabus. 

A psicóloga comportamental Noemy Pereira alerta que o envelhecimento traz mudanças que podem impactar profundamente o bem-estar emocional.

“Perdas significativas, como a morte do cônjuge ou amigos, a perda da autonomia física e o isolamento social são fatores de risco muito comuns. Além disso, doenças crônicas, dores persistentes e o preconceito etário (idadismo), que desvaloriza o idoso, comprometem a autoestima“, explica.
Reprodução/Arquivo Pessoal
Psicóloga Noemy Pereira - Reprodução/Arquivo Pessoal

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Sintomas que muitas vezes passam despercebidos

Os sinais de sofrimentos emocionais nos idosos nem sempre são claros. Muitas vezes, eles são confundidos com o envelhecimento natural ou até com doenças físicas. 

“É comum queixas de dores sem causa médica definida, irritabilidade, apatia, retraimento social, alterações no sono e no apetite. Também pode haver perda de interesse em atividades antes prazerosas ou queixas de memória que, na verdade, estão ligadas à depressão“, detalha a especialista. 

Por isso, familiares e cuidadores devem estar atentos a mudanças sutis no comportamento, evitando que quadros graves avancem sem diagnóstico.

O papel das atividades físicas, culturais e sociais

Um dos caminhos mais eficazes para preservar a saúde mental dos idosos é mantê-los ativos em diferentes dimensões da vida. Iniciativas comunitárias, grupos de convivência e programas intergeracionais são apontados como alternativas eficazes para integrar os idosos e valorizar sua participação social. 

“As atividades físicas liberam endorfinas, melhoram o sono e reduzem sintomas de ansiedade e depressão. Já as atividades culturais, como leitura, música e artesanato, estimulam a cognição e geram senso de propósito. E o convívio social fortalece vínculos afetivos, promove autoestima e combate o isolamento“, explica Noemy.

Psicoterapia e apoio familiar

Outro ponto destacado pela psicóloga é a importância da psicoterapia: “O acompanhamento psicológico oferece escuta empática, auxilia na elaboração de lutos e transição, melhora a autoestima e a autonomia emocional. Também reduz sintomas de depressão, ansiedade e sofrimento psíquico, ajudando o idoso a reconhecer sua identidade e sentido de vida, mesmo em uma fase marcada por limitações”, afirma. 

No entanto, há resistência. Muitos idosos ainda relutam em procurar ajuda psicológica. Para Noemy, é preciso trabalhar a conscientização de forma acolhedora. “Devemos mostrar que a saúde mental é tão importante quanto a física, usando uma linguagem simples e clara, envolvendo familiares e cuidadores. É fundamental respeitar o tempo do idoso, que precisa confiar antes de se abrir”, reforça.

Um desafio social

Mais do que iniciativas individuais, a psicóloga aponta que a sociedade precisa mudar sua forma de olhar para o envelhecimento. 

“As mudanças devem começar pelo combate ao etarismo, o preconceito contra o envelhecimento. Precisamos de políticas públicas inclusivas que contemplem a saúde mental dos idosos, espaços de escuta e convivência nas comunidades e mais profissionais capacitados para lidar com essa faixa etária. É fundamental valorizar o idosos como alguém que ainda tem muito a viver, ensinar e realizar”, conclui.

O envelhecimento é inevitável, mas a forma como a sociedade encara essa fase da vida pode determinar se ela será vivida com sofrimento ou com qualidade. Dar voz aos idosos, promover inclusão e garantir acesso a cuidados psicológicos são passos essenciais para que eles sejam reconhecidos em sua integralidade, não apenas pelo corpo que envelhece, mas pela mente e pela história que carregam.

Centro de Valorização da Vida

O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas, todos os dias. 

Ao ligar para o número 188, é possível ser atendido por um voluntário, com respeito, anonimato, que guardará estrito sigilo sobre tudo que for dito. Os voluntários são treinados para conversar com todas as pessoas que procuram ajuda e apoio emocional. 

Atendimento gratuito

Para buscar apoio através de atendimento com profissionais de saúde mental, de forma gratuita, na capital baiana, basta recorrer aos serviços oferecidos pela prefeitura de Salvador, por meio da Secretária Municipal de Saúde (SMS). Atualmente, o município, através da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), dispõe de vários pontos de atenção à saúde mental. 

Classificação Indicativa: Livre

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