Vida

Luto infantil: O que os pais não devem fazer com crianças que perderam alguém durante o Natal

Unsplash/Ilustrativa
Especialista orienta famílias sobre como conversar sobre a morte, preservar lembranças e identificar sinais de sofrimento emocional prolongado  |   Bnews - Divulgação Unsplash/Ilustrativa
Redação Bnews

por Redação Bnews

redacao@bnews.com.br

Publicado em 02/11/2026, às 06h00



O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), costuma despertar lembranças de pessoas queridas que já morreram. Para as crianças, a experiência da perda pode ser ainda mais delicada, especialmente quando datas como essa e o Natal, que se aproxima, reforçam a ausência de alguém da família ou até mesmo de um animal de estimação. Saber como conversar sobre a morte e acolher a saudade é fundamental nesse processo.

Para atravessar esse momento, especialistas recomendam que as famílias não escondam a morte e criem espaços para que os pequenos expressem a saudade.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Google News Bnews

Segundo a psicóloga Ruth Miranda, o luto infantil envolve não apenas a compreensão da perda, mas também a adaptação ao novo cenário familiar. A maneira como os adultos lidam com a situação influencia diretamente a forma como a criança elabora o sofrimento.

“O luto infantil é um processo em que a criança não apenas assimila o impacto da perda, mas também interage com o ambiente familiar para elaborar o sofrimento e se adaptar ao novo momento”, explica.

A especialista destaca que minimizar ou ocultar a morte pode aumentar os riscos de sofrimento emocional. Por outro lado, o acolhimento, o diálogo e a possibilidade de demonstrar sentimentos ajudam a criança a desenvolver recursos para lidar com a ausência.

Como conversar com crianças sobre a morte?

Uma das principais recomendações é manter uma comunicação aberta, sincera e adequada à idade da criança. Em vez de evitar o assunto ou utilizar explicações que possam gerar confusão, os familiares devem falar sobre a morte de maneira simples e honesta.

Desenhos, histórias e outras atividades lúdicas também podem facilitar a compreensão do que aconteceu. O objetivo é permitir que a criança faça perguntas, manifeste suas dúvidas e expresse sentimentos como tristeza, raiva, culpa ou confusão, sem medo de julgamentos.

Outro cuidado é respeitar o tempo de cada criança. Enquanto algumas demonstram a saudade por meio do choro e de conversas, outras podem apresentar dificuldades para falar sobre a perda.

Rituais de memória ajudam a lidar com o luto infantil

As despedidas e as homenagens também podem fazer parte do processo de elaboração do luto. Algumas empresas do setor funerário passaram a oferecer espaços e atividades voltados à participação das crianças em cerimônias e celebrações familiares.

É o caso da Luto Curitiba, que promove atividades em datas como o Dia de Finados e as celebrações de fim de ano. A programação inclui momentos religiosos, brincadeiras e espaços de recreação.

“As celebrações que organizamos em datas como dia de finados e final de ano sempre são destinadas à família, o que inclui as crianças. Além de momentos de fé, como missa e orações, preparamos atividades e brincadeiras. Montamos uma estrutura no jardim do cemitério com camarim de pintura, mesas de jogos e soltura de balões. Assim, os filhos acompanham os pais de forma natural”, afirma Luis Henrique Kuminek, diretor da empresa.

O que fazer para ajudar uma criança durante o Natal?

A criação de novos rituais familiares pode ajudar a criança a conviver com a ausência sem precisar apagar as lembranças de quem morreu.

Entre as possibilidades estão montar álbuns de fotografias, escrever cartas para a pessoa que partiu, desenhar momentos especiais ou plantar uma árvore em homenagem a ela. Essas atividades permitem transformar as recordações em manifestações concretas de carinho.

Durante o Natal, a família também pode reservar um momento para relembrar histórias e experiências positivas vividas com o ente querido. A proposta é integrar a memória à celebração, respeitando os sentimentos de cada integrante.

A manutenção da rotina também merece atenção. Horários, atividades cotidianas e momentos de convivência ajudam a proporcionar segurança e previsibilidade em uma fase de mudanças emocionais.

Outras recomendações incluem:

  • Fale sobre a perda com sinceridade: utilize palavras simples e explicações compatíveis com a idade da criança.
  • Não invalide os sentimentos: permita que ela demonstre tristeza, raiva, medo ou culpa.
  • Preserve as boas lembranças: incentive conversas sobre experiências felizes com quem morreu.
  • Crie rituais de homenagem: desenhos, cartas, fotografias e plantio de árvores podem ajudar na expressão da saudade.
  • Mantenha a convivência familiar: reserve momentos para conversar, brincar e compartilhar experiências.
  • Incentive atividades prazerosas: passeios ao ar livre, músicas e brincadeiras podem contribuir para o bem-estar emocional.

Quais sinais de sofrimento exigem atenção?

Embora a tristeza faça parte do processo de luto, algumas mudanças de comportamento merecem atenção dos familiares. Isolamento e regressão comportamental estão entre os sinais mencionados pela psicóloga Ruth Miranda.

Quando essas manifestações persistem ou provocam dificuldades na rotina da criança, a orientação é procurar apoio psicológico especializado.

A especialista reforça que o acompanhamento profissional pode ajudar tanto os pequenos quanto os familiares a compreenderem e enfrentarem a perda. Dessa maneira, segundo a psicóloga, o acolhimento não precisa significar esconder a tristeza, mas oferecer condições para que a criança encontre segurança e apoio enquanto aprende a conviver com a saudade.

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)