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Artigo

É cada ideia

  |  Divulgação

Publicado em 13/10/2026, às 07h16   Divulgação   José Medrado

A imaginação política nacional é um manancial inesgotável de soluções mágicas. Em pleno debate eleitoral público, ganhou visibilidade a proposta de se criar um “Ministério da Prosperidade”. A premissa, ainda que apresentada com contornos técnicos de incentivo ao empreendedorismo e ao crédito, carrega no fundo uma ingenuidade quase infantil: a de que a riqueza, a autonomia financeira e a ascensão social são frutos diretos de um carimbo ministerial. Basta assinar um decreto, inaugurar uma sede na capital com placa de bronze, nomear dezenas de secretários e, voilà, a escassez se dissolve como num passe de mágica, e o povo ascende economicamente. Essa ideia reflete a crença cega no poder da ilusão de que se utiliza alguns políticos como uma espécie de varinha de condão socioeconômica. Na cabeça dos entusiastas dessa tese, o Estado funciona como um padrinho mágico da fábula política: um toque de varinha no Diário Oficial e a abóbora das dificuldades sociais se transforma imediatamente na carruagem da estratificação social superior, em metáfora da Cinderela. O cidadão, antes preso aos degraus mais baixos da renda, acorda no dia seguinte devidamente com dicas, ideias fantásticas e pronto. Tudo resolvido. E o pior: com assombração de cortes de políticas públicas às camadas mais pobres da nossa sociedade.


A grande ironia dessa abordagem é confundir a causa com o efeito. A prosperidade de uma nação não nasce da vontade de um titular de pasta, nem é gerada por decreto. Ela é o resultado complexo de segurança jurídica, ganhos reais de produtividade, educação de qualidade, ambiente de negócios saudável e estabilidade econômica. Criar uma estrutura burocrática dedicada a “produzir” prosperidade é o equivalente funcional a fundar o "Ministério da Felicidade" ou o "Secretariado do Bom Tempo": uma tentativa grotesca de regulamentar o intangível por meio da máquina pública. E ainda surge nome ministeriável, o de um coach. Não se trata de uma inocência conceitual, há um elemento francamente de engodo na fala dessa possibilidade.

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No fim das contas, a ideia de institucionalizar a prosperidade em uma pasta executiva revela o quanto a cultura política ainda é muito pródiga em enganar, mascarar e dizer o que não se tem compromisso no mundo real. Funciona no mundo digital das redes sociais, onde, em geral, não se faz avaliação de nada e se absorver o que vem ao encontro dos fãs clubes de políticos.

Classificação Indicativa: Livre


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