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Publicado em 02/11/2026, às 15h51 Reprodução/Redes sociais/Unsplash Antonio Dilson Neto
A United Airlines desenvolveu um rótulo de vinho exclusivo para ser degustado nos voos da classe executiva, na altura de 35 mil pés. Batizado de Air and Vine, o tinto foi desenvolvido em parceria com o enólogo Jesse Katz, da vinícola californiana Aperture Cellars, e teve sua composição definida durante uma viagem entre Nova York e São Francisco, a cerca de 10,7 mil metros de altitude.
A ideia surgiu de uma particularidade conhecida no setor de aviação: as condições dentro da cabine alteram a percepção dos sabores e aromas.
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Com o ar mais seco e a pressão reduzida, características como acidez e taninos podem se destacar, enquanto notas frutadas e aromas ficam menos perceptíveis. Por isso, a United e a Aperture decidiram desenvolver uma bebida que apresentasse equilíbrio justamente nesse ambiente.
Durante o voo, Katz levou amostras dos diferentes componentes do vinho e experimentou nove combinações até chegar à fórmula escolhida. A safra de 2024 reúne cinco variedades de uvas: 76% Cabernet Sauvignon, 12% Malbec, 6% Merlot, 4% Petit Verdot e 2% Cabernet Franc.
As uvas são cultivadas na Farrow Ranch, propriedade da Aperture Cellars localizada no condado de Sonoma, na Califórnia. O vinho passou por 24 meses de maturação em barricas, sendo 40% delas de carvalho francês novo.
A estreia do Air and Vine está prevista para 2028, na Polaris, classe executiva da United Airlines, em voos internacionais selecionados. O lançamento faz parte de um acordo de três anos entre a companhia aérea e a vinícola, que prevê a criação de um novo rótulo exclusivo a cada ano.
A percepção dos sabores durante um voo pode mudar por causa de fatores como baixa umidade, pressão da cabine e ruído. Um estudo encomendado pela Lufthansa ao Instituto Fraunhofer de Física da Construção, na Alemanha, apontou que a percepção de sal e açúcar pode cair até 30% em condições simuladas de voo.
A umidade dentro das aeronaves costuma ficar entre 10% e 20%, o que contribui para ressecar as mucosas e prejudicar o olfato. Já uma pesquisa da Universidade Cornell identificou que o ruído intenso também interfere na experiência sensorial, reduzindo a percepção do doce e favorecendo a do umami.
Segundo Katz, a experiência de degustação em altitude influenciou diretamente as proporções escolhidas para o corte final. Ao repetir a prova em terra, logo depois do voo, o enólogo percebeu uma mudança na expressão da bebida, com aromas mais abertos e presença mais intensa de frutas.
Na cabine Polaris Studio, a carta costuma reunir oito rótulos, entre eles Champagne Laurent-Perrier e vinho do Porto. O menu também permite que os passageiros escolham até três opções para degustar.
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