Cidades

Pedro Alexandre e João Sá: MP aponta dificuldades na ajuda humanitária após rompimento de barragem 

O desastre ocorreu em julho deste ano  |  Divulgação

Publicado em 24/09/2019, às 08h40   Divulgação   Redação BNews

Dificuldades na ajuda humanitária e violações aos direitos humanos das famílias atingidas pelos danos socioambientais decorrentes do rompimento da Barragem Lagoa Grande, foram encontradas durante visitas técnicas feitas nas cidades de Pedro Alexandre, e também em Coronel João Sá, no Nordeste da Bahia, entre quinta (19) e sexta-feira (20). O desastre ocorreu em julho deste ano. 

Na oportunidade, a população e os órgãos municipais competentes foram ouvidos. Foi confirmada a denúncia recebida pelo CNDH sobre violação de direitos à informação e à participação. Também foram verificadas em Pedro Alexandre dificuldades na distribuição de cestas básicas às famílias e atraso no cadastramento das vítimas, o que tem prejudicado o atendimento de emergência, impedindo a prestação dos aluguéis sociais e a transferência de renda para compra de alimentos. 

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Já em Coronel Sá, há pendências para construção de casas que abriguem as pessoas afetadas. No município, 130 famílias perderam as casas, um total de 390 pessoas. A maioria está na residência de parentes e 17 famílias estão provisoriamente alojadas nas escolas Municipais Ruy Barbosa e Maria Dalva. Em Pedro Alexandre, mais de 14 mil pessoas foram afetadas pelo rompimento da barragem. Atualmente, 128 pessoas estão desabrigadas e 760 desalojadas.

As visitas decorreram de missão organizada pela Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), que contou com a participação de vários órgãos, entre eles o Ministério Público da Bahia (MP-BA), o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). 

Segundo a promotora de Justiça Márcia Teixeira, representante do MP no CNDH, foi solicitado à prefeitura de Pedro Alexandre que apresente ao MP e à população “o cadastro das pessoas atingidas e conclua os laudos necessários sobre os impactos nos imóveis das famílias e o plano de trabalho para que a as famílias próximas à barragem possam retomar a atividade econômica com a qual obtêm sua renda”. 

De acordo com a promotora, o MP e as Defesas Civis municipais estão produzindo relatórios técnicos sobre a situação das demais barragens localizadas na região. “Após as recomendações e orientações emergenciais, estamos em fase de conclusão dos relatórios, inclusive com recomendações para adoção de medidas de prevenção”, disse a promotora Luciana Khoury. 

O inquérito civil instaurado pela promotora Luciana Khoury apura ainda as possíveis irregularidades ou omissão com relação à segurança de barragens. Há também um trabalho, em conjunto com o Caodh, de análise dos impactos sociais às pessoas afetadas.

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