Cidades
Publicado em 09/06/2026, às 09h27 - Atualizado às 10h10 Leitor BNEWS Redação Bnews
O diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Topázio Neto, afirmou que a contaminação identificada em São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, em área do Terminal Marítimo de Granéis operado pela Intermarítima Portos e Logística, tem origem em resíduos deixados por uma operação anterior da Usiba/Gerdau. A declaração foi publicada pelo líder comunitário Lázaro Conceição, o Lazinho, nas redes sociais.
Segundo Topázio, o material teria sido enterrado em uma fase anterior de operação da área e, com o tempo, passou a reaparecer devido a processos naturais do solo e da movimentação na região.
“Aquela área ali, toda ela, como foi feita, ela não foi feita pensada na questão ambiental. (...) Eles começaram a acumular o material e a disposição que eles fizeram quando vendeu a área foi enterrar. (...) Mas é o que eu estou te falando, é passivos que vem da Usiba”, afirmou no vídeo.
Na manhã desta terça-feira (9), em entrevista ao BNEWS, Topázio Neto afirmou que o vídeo foi gravado sem autorização e teve trechos editados, o que, segundo ele, acabou distorcendo parte da explicação.
“Na realidade, esse vídeo foi gravado de forma irregular, né? Foi falta de ética gravar sem me informar que estavam gravando. Agora, eu não retiro nada que eu coloquei, houve uma edição”, disse.
O gestor reforçou que a contaminação está associada a um passivo ambiental antigo, anterior à atual operação da área, mas destacou que a responsabilidade é compartilhada. “De fato, aquilo ali é uma área que tem um passivo, que vem anterior à empresa atual, mas a empresa atual é corresponsável quando ela assume aquele passivo”, esclareceu.
Segundo Topázio, o problema remonta a atividades industriais de décadas atrás, ligadas ao transporte e manejo de cloro na região. “Aquilo ali já está há muito tempo, desde a Usiba, depois com a Gerdau, atividade de transporte de cloro, que foi colocada e deixada ali de uma maneira que entendíamos na época (...) é de décadas passadas.”
Ele afirmou ainda que os impactos observados atualmente são resultado dessas práticas antigas. “Hoje em dia nós estamos vendo o resultado, que não foi a melhor maneira.”
O diretor também mencionou falhas operacionais mais recentes na área. “O porto também tinha alguns problemas operacionais equivocados, que causava derramamento, e tudo isso nós estamos aproveitando a oportunidade para tentar corrigir de forma definitiva aquela área.”
De acordo com ele, o desafio agora é a recuperação ambiental do local, em um processo que envolve diferentes atores. “É um passivo antigo que não foi resolvido, e precisa ser resolvido em algum momento. (...) A responsabilidade é conjunta, tanto daqueles que têm o passivo (...) como também quem opera no momento.”
Topázio ressaltou que a definição de responsabilidades específicas ainda depende de análise jurídica. “Se quem é o responsável, isso é uma questão mais jurídica (...) é uma discussão mais de natureza jurídica, mas o passivo ambiental é claro.”
Diretor do Inema, Topázio Neto, diz ao BNews que vídeo sobre contaminação em São Tomé de Paripe foi gravado sem autorização e teve edição. Ele reforça: problema é antigo, mas responsabilidade é compartilhada e área segue interditada. pic.twitter.com/P5rGUC59AY
— bnewsvideos (@bnewsvideos) June 9, 2026
Área hoje é operada pela Intermarítima
O ponto citado na investigação integra o Terminal Marítimo de Granéis, atualmente sob operação da Intermarítima Portos e Logística, em São Tomé de Paripe.
O local está sob apuração de órgãos ambientais após a identificação de substâncias químicas na areia e nos sedimentos marinhos, com registros de cobre e nitrato na região.
As análises técnicas seguem em andamento e ainda não há conclusão definitiva sobre a origem do material. O trecho permanece sob monitoramento e interdição parcial.
Discussão sobre responsabilidade
Topázio afirmou que o caso envolve um histórico de decisões anteriores e que a definição de responsabilidades depende de avaliação jurídica e atuação conjunta com o Ministério Público.
“É isso que está discutindo, que é uma questão jurídica. Daí a importância da parceria com o Ministério Público. A gente vai ter que ver isso aí. Até porque, essas empresas foram autorizadas para funcionar”, disse.
Investigação segue em andamento
O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia mantém o monitoramento da área enquanto aguarda a conclusão dos laudos técnicos sobre a contaminação em São Tomé de Paripe.
A área segue sob monitoramento, e a operação permanece interditada enquanto avançam as medidas para contenção e remediação do problema.
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