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Mancha misteriosa em praia no Subúrbio vira disputa entre empresas e deixa 800 famílias no prejuízo em Salvador

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Contaminação em São Tomé de Paripe expõe impasse entre Gerdau e Intermarítima sobre responsabilidade ambiental; MP-BA tenta acordo para indenizar pescadores, marisqueiras e barraqueiros  |   Bnews - Divulgação Reprodução e Leitor BNEWS
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 21/05/2026, às 14h00



Quase três meses após o surgimento de manchas nas cores azul e amarelo na orla de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, o caso segue sem resposta definitiva, e com prejuízos crescentes para quem depende do mar para sobreviver.

A contaminação levou à interdição de trechos da praia e afetou diretamente pescadores, marisqueiras, barraqueiros e moradores da região. Estima-se que cerca de 800 famílias tenham sido impactadas. O caso também passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF).

Contaminação ainda sem causa definida
Apesar da repercussão, as investigações ainda não apontaram uma causa conclusiva para o problema.

Inicialmente, moradores direcionaram críticas ao Terminal Itapuã, que atualmente opera com transporte de fertilizantes. No entanto, análises preliminares levantaram a hipótese de relação com substâncias como cobre, manipuladas no local durante operações anteriores.

Disputa sobre responsabilidade ambiental
O impasse ganhou novos contornos após posicionamento da Gerdau, antiga operadora do terminal e ainda proprietária da estrutura.

Em resposta ao BNews, a empresa afirmou que “nenhuma análise técnica realizada foi conclusiva quanto às reais causas” da contaminação e reforçou que não reconhece responsabilidade pelo caso.

A companhia destacou que o terminal foi vendido em 2022 para a Intermarítima, com transferência da licença ambiental aprovada pelos órgãos reguladores. Desde então, segundo a Gerdau, “a operação no local está sob responsabilidade única e exclusiva da nova operadora”.

A empresa também contestou a hipótese de passivo ambiental. “A Gerdau refuta a tese de que há conclusões de que as manchas atuais configuram passivo histórico”, afirmou.

Substância indica contaminação recente, diz empresa
Outro ponto levantado pela companhia diz respeito à presença de Nitrogênio Amoniacal nas áreas afetadas.

Segundo a Gerdau, trata-se de um composto “associado a fontes recentes de contaminação”, o que indicaria que o problema teria ocorrido após a saída da empresa da operação do terminal.

Histórico ambiental entrou na negociação
A empresa informou ainda que, antes da venda, foram realizados estudos ambientais e intervenções na área, com todos os relatórios apresentados à compradora e ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

De acordo com a companhia, o processo seguiu integralmente a legislação ambiental, incluindo a Resolução nº 420/2009 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o que viabilizou a transferência da licença.

Durante mais de 30 anos de operação, a Gerdau afirma que “nunca houve uma contaminação ou ocorrência dessa magnitude” no terminal.

MP-BA tenta acordo para indenização
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu tratativas para tentar viabilizar um acordo que garanta reparação às famílias afetadas. A Gerdau confirmou ao BNews que recebeu uma proposta inicial do órgão e que apresentou contraproposta no último dia 8 de maio.

Mesmo sem reconhecer responsabilidade, a empresa afirmou que se colocou à disposição para contribuir com medidas de apoio. Segundo a companhia, a iniciativa ocorre “por liberalidade e sem assunção de qualquer responsabilidade”, incluindo possível participação em custos de investigação e auxílio à comunidade.

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