Cidades

'Reciclador de imóveis' compra prédio em ruínas e faz descoberta impressionante

Desenvolvedor imobiliário revela a origem de prédio de 1919, projetado por Ramos de Azevedo, no Centro de São Paulo  |  Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @recicloimoveis

Publicado em 01/08/2026, às 09h25   Reprodução / Redes Sociais / Instagram / @recicloimoveis   Cauan Borges

O que parecia ser apenas mais um edifício degradado no Centro Histórico de São Paulo se transformou em uma descoberta significante. Adquirido em 2025 pelo desenvolvedor imobiliário Allan Ruiz, o imóvel localizado na Rua Roberto Simonsen, próximo ao Pateo do Collegio e à Praça da Sé, foi identificado como um projeto assinado por Ramos de Azevedo, um dos nomes mais importantes da arquitetura nacional.

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Responsável por restaurar construções antigas, atividade que define como "reciclagem de imóveis", Allan comprou o prédio sem conhecer sua origem. A verdadeira história do edifício só veio à tona meses depois, durante pesquisas realizadas no processo de revitalização.

Construído em 1919, o imóvel foi projetado para sediar a antiga Policlínica e a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Antes mesmo da criação da Faculdade de Medicina da USP, o local desempenhou papel importante no atendimento à população e no desenvolvimento de pesquisas médicas na capital paulista.

Confira:

Apesar de décadas de abandono, boa parte das características originais permaneceu preservada. O prédio ainda mantém pisos centenários de ladrilho hidráulico, vitrais históricos e até a cabine original do elevador. 

Em contrapartida, o tempo deixou marcas como infiltrações, reboco deteriorado, vidros quebrados e paredes com tijolos aparentes .Segundo Allan Ruiz, justamente a falta de uso contribuiu para conservar diversos elementos da construção.

É um imóvel com alto valor histórico que acabou ficando preservado pela falta de uso. Foram 85 anos sem ninguém pisando ou batendo prego na parede, e isso acabou ajudando a manter a estrutura física do prédio", afirmou em entrevista ao g1.

A descoberta da autoria do projeto aconteceu de forma inesperada. Ao analisar inscrições encontradas nos tijolos da edificação, Allan chegou aos estudos da pesquisadora Angélica Moreira sobre a antiga policlínica. 

Posteriormente, uma consulta ao Arquivo Histórico Municipal confirmou que as plantas originais do prédio eram assinadas por Ramos de Azevedo. O empresário contou que ficou emocionado ao confirmar a informação.

Quando ela me disse que era um projeto de Ramos de Azevedo, eu dei até uma bambeada nas pernas", relatou.

Além do valor arquitetônico, o edifício também guarda relevância para a história da medicina paulista. Conforme explicou o proprietário, o espaço reunia atendimento gratuito em diversas especialidades, biblioteca, anfiteatro e ambientes destinados a pesquisas e encontros científicos, tornando-se um dos principais polos médicos da cidade no início do século XX.

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TagsSão PauloimóveisPraça da SéedifícioarquiteturaRamos de AzevedoAllan ruizreciclagem de imóveis

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