Cidades
Publicado em 11/03/2026, às 20h17 Reprodução / Diário da Notícia Cibele Gentil
A realidade enfrentada por mulheres trans e travestis no sistema educacional brasileiro é o tema central de um relato contundente. Mika Caymmi, estudante trans e moradora da cidade de Cachoeira, faz um depoimento marcado pela resiliência e descreve as dificuldades estruturais para ocupar espaços de qualificação profissional.
Ouvida pelo portal Diário da Notícia, Mika, que atualmente cursa Análises Clínicas no CETEP Recôncavo, aponta que as barreiras sociais e o preconceito ainda limitam drasticamente o acesso dessa população às salas de aula. Ela reflete que o cenário de invisibilidade persiste mesmo em pleno século XXI.
Exclusão e Persistência no Ensino
A trajetória de Mika evidencia a solidão da população trans nos ambientes de formação. Durante sua passagem pelo Colégio Estadual de Cachoeira, ela relembra não ter tido nenhuma colega trans ou travesti.
Anos depois, o cenário se repete em sua formação técnica. Mika é a única pessoa trans em uma turma de 36 alunos. Segundo ela, essa ausência não é acidental, mas fruto de uma exclusão que começa cedo, motivada por discriminação e falta de acolhimento escolar.
O rompimento de vínculos familiares, comum após a revelação da identidade de gênero, agrava o quadro. Conforme explica, muitas pessoas são forçadas a abandonar os estudos por falta de suporte financeiro e emocional. “Muitas são expulsas de casa ou acabam saindo por falta de aceitação. Isso limita completamente as oportunidades de continuar estudando e buscar uma qualificação profissional”, explica.
A Educação como Ferramenta de Ruptura
Essa dificuldade de permanência na escola reflete diretamente no mercado de trabalho. A estudante diz que a maioria da população trans no Brasil acaba recorrendo à prostituição como fonte de renda. As principais razões são a falta de oportunidades formais.
Para Mika, sua presença na área da saúde é um ato político e um símbolo de mudança. Ela afirma que, embora sua presença possa causar incômodo a alguns, representa a conquista de um direito historicamente negado. “Vão ter que nos ver de jaleco”, diz estudante.
A estudante conclui reforçando que sua história não deve ser tratada como um caso isolado, mas como o início de uma nova realidade onde a educação e a qualificação profissional sejam acessíveis a todos. “Cada uma de nós que entra numa sala de aula está fazendo história. Estamos abrindo caminhos para as que virão depois.”
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