Coronavírus
Publicado em 17/03/2021, às 15h49 Pixabay Redação BNews
O escritor americano John Hollis, de 54 anos, pensou que iria contrair a Covid-19 quando um amigo com quem dividia a casa se contaminou e ficou gravemente doente. Mas o esperado não aconteceu, já que ele não mostrou nenhum sintoma. Depois, Hollis participou de uma pesquisa na Universidade George Mason e descobriu que contraiu o coronavírus, mas seu corpo tinha superanticorpos que o tornaram imune à doença. Os vírus entraram em seu corpo, mas não conseguiram infectar suas células e deixá-lo doente.
"Essa tem sido uma das experiências mais surreais da minha vida", conta Hollis.
Segundo a Folha de S. Paulo, o professor que descobriu o superanticorpos em Hollis, o médico Lance Liotta, professor da Universidade George Mason, conta que eles coletaram o sangue do escritor americano em diferentes momentos e agora "é uma mina de ouro para estudarmos diferentes formas de atacar o vírus".
Na maioria das pessoas, os anticorpos que se desenvolvem para combater o vírus atacam as proteínas das espículas do coronavírus, formações na superfície do Sars-Cov-2 em formato de espinhos que o ajudam a infectar as células humanas.
"Os anticorpos do paciente grudam nas espículas e o vírus não consegue grudar nas células e infectá-las", explica Liotta. O problema é que, em uma pessoa que entra em contato com o vírus pela primeira vez, demora certo tempo até que o corpo consiga produzir esses anticorpos específicos, o que permite que o vírus se espalhe.
Mas os anticorpos de Hollis são diferentes: eles atacam diversas partes do vírus e o eliminam rapidamente. Ainda de acordo com a Folha, eles são tão potentes que Hollis é imune inclusive às novas variantes do coronavírus.
"Você poderia diluir os anticorpos dele em 1 para mil e eles ainda matariam 99% dos vírus", explica Liotta.
Os pesquisadores estudam esses superanticorpos de Hollis e de alguns outros poucos pacientes como ele na esperança de aprender como melhorar as vacinas contra a doença.
"Eu sei que não sou a única pessoa que tem anticorpos assim, sou apenas uma das poucas pessoas que foram encontradas", afirma Hollis.