Justiça

25 tiros no rosto: Três anos após execução brutal, família de Mãe Bernadete clama por justiça e mantém legado vivo

Três anos após o crime que chocou o país, neto da líder quilombola relembra a dor da família e cobra punição para todos os envolvidos no assassinato  |  Henrique Duarte

Publicado em 17/08/2026, às 12h39 - Atualizado às 13h40   Henrique Duarte   Cibele Gentil

O assassinato brutal de Mãe Bernadete, em 17 de agosto de 2023, chocou o país. A ativista foi morta com 25 tiros, a maioria deles no rosto, enquanto estava no sofá de casa, na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, cidade da Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Três anos após, a memória e o legado da liderança quilombola continuam vivos e inspiram familiares, amigos e instituições em defesa dos direitos humanos. “Acredito que, apesar dos desafios cotidianos, que existem em muitas comunidades quilombolas, a gente tem feito um bom trabalho ao preservar o legado dela”, disse o neto, Wellington Pacífico, de 25 anos.

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Uma missa foi realizada na capital do estado, na manhã desta segunda-feira, para marcar a data. A celebração aconteceu no Santuário do Senhor do Bonfim da Bahia, a Igreja do Bonfim.

Perdas difíceis

Na noite do crime, Wellington e duas crianças da família também estavam na casa, quando a avó foi assassinada. Além da morte de Mãe Bernadete, o jovem já havia sofrido a perda violenta de seu pai. Flávio Pacífico, conhecido como Binho, também era ativista e foi assassinado em 2017, aos 36 anos.

“São feridas que não foram reparadas. Para a nossa comunidade, é uma dor perder minha avó, perder meu pai e ainda por cima viver, conviver com a impunidade de não haver justiça”, desabafou Wellinton à Agência Brasil. “Apesar dessa injustiça, a gente se esforça para motivar as boas memórias, semear novas expectativas e ressignificar tudo o que aconteceu”, completou.

Transformando luto em luta

Wellington está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH) e ingressou no curso de direito, para lutar por justiça por sua família e pelas comunidades quilombolas no Estado.

“Entendo que eu devo me qualificar cada dia mais para que eu possa ajudar de alguma forma as pessoas. Tive minha família destruída, atravessada por tragédias, tendo que se reconstruir a cada dia. Essas vivências me fizeram ter outro olhar para o direito”, falou.

Divulgação/ Conaq
Crédito - Henrique Duarte
Crédito - Henrique Duarte
Reprodução/Conaq

Culpados e Justiça

Os acusados pela morte de Mãe Bernadete estão presos e dois deles tiveram julgamento em abril. Arielson da Conceição dos Santos, executor dos disparos, foi condenado a mais de 40 anos de prisão. Já Marílio dos Santos, um dos envolvidos no planejamento do crime, recebeu pena de 29 anos e 9 meses.

Outros três acusados aguardam julgamento, que possivelmente venha a acontecer em outubro deste ano, conforme o neto. “A gente espera que a justiça seja feita. Toda vez que falarmos da Mãe Bernadete, a gente tem que falar do Binho do Quilombo. Suspeitos foram presos e depois soltos. Eu diria até que há risco de vitimar outras lideranças,” disse Wellington.

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