Justiça
Publicado em 24/06/2025, às 11h03 - Atualizado às 11h32 Reprodução / Freepik Leonardo Oliveira
Muitos motoristas por aplicativo estão recorrendo a uma nova ferramenta para garantir corridas que realmente valem a pena financeiramente. No Rio de Janeiro, por exemplo, eles alcançam um lucro médio de R$ 3.542,14 por mês — o segundo maior do país, atrás apenas de Pelotas (RS).
Por trás desse resultado está a GigU (antiga StopClub), uma startup que virou febre entre motoristas de Uber, 99 Pop e InDrive. A proposta é simples e poderosa: ajudar o motorista, em tempo real, a saber se aquela corrida que aparece na tela compensa ou não.
A batalha diária por lucro
Só com combustível, motoristas no Rio gastam, em média, R$ 2.228,57 por mês. Para quem aluga o carro, a conta sobe ainda mais. É uma luta diária para fazer o trabalho compensar.
Pensando nisso, a GigU criou um sistema que cruza o valor da corrida com distância e tempo estimados. O motorista define quanto quer ganhar por quilômetro, minuto e hora, e o app faz os cálculos. Quando surge uma corrida no Uber ou no 99, a ferramenta entra em ação em menos de um segundo, acionando um “semáforo inteligente”:
🟢 Verde: Corrida lucrativa
🟡 Amarelo: Mal cobre os custos
🔴 Vermelho: Gera prejuízo
O motorista Maycon Kanaan afirma que sua vida mudou após começar a usar o app. “Antes, rodava 300 km com corridas ruins e fazia uns R$ 450. Agora, consigo escolher melhor e passei a ganhar R$ 800 rodando a mesma quilometragem”, relata.
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A treta na Justiça: Uber x GigU
A popularidade da ferramenta, porém, gerou uma guerra nos tribunais. A Uber entrou com uma ação contra a GigU, alegando concorrência desleal. Segundo a empresa, duas funcionalidades seriam problemáticas: o “cálculo de ganhos” e, principalmente, a “recusa automática” — que rejeita corridas não lucrativas sem que o motorista precise fazer nada.
A Uber sustenta que essas funções acessam dados indevidamente e interferem no funcionamento da plataforma. Chegou, inclusive, a obter uma liminar suspendendo essas operações.
No entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) derrubou a decisão, entendendo que não se pode impedir o uso da tecnologia sem provas concretas de prejuízo. O processo agora segue em fase de perícia técnica, enquanto cresce o debate sobre o direito dos motoristas de usarem ferramentas para otimizar seus ganhos.
Para os motoristas, o app é uma questão de sobrevivência. Para as plataformas, um risco de desequilíbrio no sistema. E, para os passageiros, especialistas alertam que o uso generalizado da ferramenta pode gerar mais tarifas dinâmicas e maiores tempos de espera, já que as corridas menos lucrativas são recusadas com mais frequência.
“Estamos diante de uma encruzilhada regulatória: proteger o poder de escolha dos motoristas e, ao mesmo tempo, garantir que a inovação não prejudique o consumidor final. Mas sufocar startups sem perícia, com liminares exageradas ou alegações genéricas, compromete a liberdade econômica e a inovação digital no país”, avalia a advogada Bruna Kusumoto, especialista em Direito Digital, ao Extra.
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