Justiça

Artigo: Tenham bichos de estimação, não políticos e nem ministros

Reflexões sobre a adoção de animais e a diferença entre cuidar de pets, políticos e ministros  |  Foto: Divulgação

Publicado em 16/09/2026, às 10h00   Foto: Divulgação   Claudia Cardozo

Eu tenho dois cachorros e uma gatinha, todos adotados. A gata, ainda me questiono se realmente foi adotada por mim ou se foi uma invasão na minha casa, e, desta forma, convivo com a dúvida se fui coagida a abrigá-la. Os dois cachorros, um macho e uma fêmea, ambos vira-latas caramelos, fui eu mesma que decidi pela adoção. Cheguei à loja, os vi de longe e pensei: achei meus dois filhos. E os levei para casa logo após assinar uma papelada de responsabilidade e de que não haveria devolução.

Aquela doçura no abrigo, logo que chegou em casa, deu espaço para dois espíritos atanazados, que passaram a me dar muito trabalho. Pensei em devolver nos primeiros dias, mas não poderia fazer pelo termo que assinei. Assumi o B.O. No processo, me apaixonei por esses dois cachorros que parecem mais duas crianças de cinco anos juntas, encapetadas, logo após comerem 1 kg de açúcar. Me deram prejuízos de diversas formas. O mais caro foi um sofá que rasgaram. O mais engraçado foi uma pizza inteira que comeram sozinhos. Com tantos atentados, tive que botar câmeras em minha própria casa para descobrir os autores do crime.

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Conto isso para falar uma coisa: tenham animais de estimação. Não políticos e nem ministros. Quando você assume a responsabilidade de ter alguém como algo de muita estima, você passa a ter um trabalho árduo em cuidar daqueles entes de estimação, manter a imagem de que está tudo bem, de que você fez a melhor escolha, e saber que, toda hora, literalmente, você vai passar pano para limpar as merdas que fazem.

Aqui em casa, é 1 litro de água sanitária e desinfetante toda semana só para limpar o xixi e o cocô dos cachorros feitos erradamente na sala e nos quartos. É a parte mais chata da responsabilidade de se ter um bicho de estimação. Mas a melhor, com certeza, são os atos de carinho e lambeijos. Esses recompensam tudo. A gente sabe que os nossos bichinhos não estão nos extorquindo, pedindo Pix, jatinho, avião, duas putas ou exigindo ração premium. Eles só querem carinho mesmo. Aí, a gente acha que compensa limpar tanta bosta espalhada pela casa.

Agora, imagina você ter político ou ministro de estimação. Você tem carinho por ele, ele fez algumas coisas legais, eventualmente pode ter te acenado algum gesto de carinho ou fez algo que te agradou muito. Mas, de repente, você vê que tem muita merda na sala para você limpar, e, uma hora, você cansa de passar tanto pano para tanta sujeira. E, no final, você sabe que, se você não tiver como agradá-lo, ele vai sujar ainda mais sua casa, talvez até trazendo lama do quintal ou pulgas e carrapatos da rua. Tem que estar muito disposto a toda hora passar pano para ter algum ministro de estimação.

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