Justiça

Com formato inovador, TJBA sedia 'Julho das Pretas' e debate justiça sociorracial: "O Tribunal está com elas"

Desembargadora Nágila Brito destaca a importância de protocolos de gênero e raça para humanizar decisões judiciais  |  Foto: Divulgação

Publicado em 14/07/2026, às 14h05   Foto: Divulgação   Redação Bnews

O Auditório Desembargadora Olny Silva, no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), transformou-se em um espaço de ancestralidade, escuta e debate franco nesta segunda-feira (13). Em sua terceira edição, o projeto Julho das Pretas reuniu desembargadores, juízes, servidores, estudantes e lideranças da sociedade civil em torno de um objetivo comum: a valorização e a garantia de direitos das mulheres negras.

Desta vez, o encontro abandonou o modelo tradicional de palestras e adotou a dinâmica de talk show. A mudança garantiu um debate muito mais fluido e direto entre o público e as convidadas — as juízas Ana Cláudia de Jesus Souza, Andremara dos Santos e Maria Angélica Alves Matos, além da professora e pesquisadora da UFBA, Florentina Souza.

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O Judiciário de portas abertas
À frente da Coordenadoria da Mulher do TJBA, a desembargadora Nágila Maria Sales Brito fez questão de frisar que a iniciativa vai muito além do simbolismo.

"Esse evento é importantíssimo porque estamos dizendo às nossas meninas e mulheres negras que o Tribunal está com elas", pontuou a magistrada.

Durante a abertura, Nágila destacou a aplicação obrigatória dos Protocolos para Julgamento com Perspectiva de Gênero (2023) e de Raça (2024), instituídos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para ela, as diretrizes são fundamentais para humanizar as decisões judiciais.

"Esses documentos se apresentam como um convite permanente para que magistradas e magistrados reconheçam que ninguém chega ao sistema de justiça em condições absolutamente iguais", alertou.

Transformação
O debate, mediado pela pesquisadora da USP Mabel Freitas, girou em torno de trajetórias profissionais, representatividade nos espaços de poder e os desafios cotidianos enfrentados pelas mulheres negras.

A força do evento atraiu caravanas de fora de Salvador. Representantes da Casa da Mulher Iraraense — projeto que acolhe mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica — viajaram cerca de 140 quilômetros para acompanhar a programação.

"Esse evento é uma possibilidade de aprimorar o nosso conhecimento, além de abarcar e acolher de uma forma ainda mais diversificada", destacou a psicóloga da instituição, Raqueline Portela.

Arte e Literatura
O tema deste ano, "Nossa fala estilhaça a máscara do silêncio – Mulheres negras e justiça sociorracial", foi inspirado na obra da escritora Conceição Evaristo. Essa mesma urgência de se fazer ouvir motivou a escritora Vânia Santos a lançar no evento o seu livro de poesias "A Flor que Chora", focado no combate à violência contra a mulher.

"Estou muito feliz de estar aqui trazendo um pouquinho da minha literatura, que assim como a de Conceição Evaristo, expressa a realidade dura das mulheres, sobretudo das mulheres negras", celebrou a autora. A tarde ainda contou com a sensibilidade artística da dupla Emilie Lapa e Natalyne Santos.

Sobre o Julho das Pretas
Criada pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, a campanha é um marco do movimento social brasileiro que fortalece a agenda em torno do dia 25 de julho — data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha, e o Dia Nacional de Teresa de Benguela, líder quilombola e símbolo histórico de resistência.

Classificação Indicativa: Livre


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