Política
por Henrique Brinco
Publicado em 14/07/2026, às 16h38 - Atualizado às 16h43
A Prefeitura de Salvador vem enfrentando uma série de polêmicas e escândalos em um curto intervalo de tempo. Na semana passada, começamos com a denúncia dos caixões deixados a céu aberto em um cemitério municipal. Na sexta-feira, revelamos a compra de filé de cação, que é carne de tubarão, para a merenda das escolas da capital. Um alimento que, como se sabe, pode apresentar altas concentrações de metais pesados.
No sábado, veio outra denúncia: a arrecadação de cerca de meio bilhão de reais em multas de trânsito na cidade. A pergunta que fica é simples: para onde está indo esse dinheiro? Ao mesmo tempo em que se fala em dificuldades financeiras da prefeitura, a arrecadação com multas alcança cifras milionárias... Isso sem falar no escândalo envolvendo a Escola do Curralinho.
Como se isso não bastasse, a cereja do bolo surgiu nesta semana com a operação que revelou um esquema de fraudes em licitações que, segundo as investigações, atuava desde 2018 dentro da Prefeitura de Salvador. Gente graúda envolvida até o pescoço!
Grande parte dos problemas, é bem verdade, se dá pela escolha de gestores incompetentes para ocupar as secretarias. Contudo, Bruno Reis também precisa dar explicações. Os escândalos são sucessivos e a segunda gestão do prefeito tem acumulado notícias que desgastam a administração municipal. Se continuar nesse ritmo, vai perder as condições de se manter no cargo.
Quando ACM Neto assumiu a prefeitura, após os mandatos desastrosos de João Henrique, consolidou a marca da zeladoria urbana. A cidade passou a ser associada à limpeza, à recuperação das vias e ao cuidado com os espaços públicos. Hoje, essa imagem parece estar sendo desmontada.
Salvador voltou a conviver com ruas esburacadas, lixo em diversos pontos e uma orla cada vez mais desprovida de arborização, além das sucessivas denúncias envolvendo contratos e licitações.
Nesse cenário, torna-se ainda mais importante o papel da imprensa. É ela quem tem levado esses casos ao conhecimento da população. A Câmara Municipal, por sua vez, possui ampla maioria alinhada ao Executivo, o que reduz o espaço para uma fiscalização mais efetiva. A oposição até tenta, mas não tem tamanho para o enfrentamento.
Por isso, cabe também à sociedade exercer seu papel. É fundamental cobrar explicações, acompanhar as investigações e manifestar insatisfação quando considerar necessário, além de cobrar que as responsabilidades sejam apuradas.
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