Justiça
Publicado em 15/10/2026, às 10h34 - Atualizado às 10h35 Andressa Anholete/STF Redação Bnews
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, autorizou as plataformas digitais a recomendar publicações e perfis de candidatos eleitos no primeiro turno das eleições de 2026.
A medida, formalizada em ofício enviado na sexta-feira (9), permite que nomes como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro voltem a ampliar o alcance de suas publicações sem pagar por impulsionamento, o que pode favorecer a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de segundo turno. A informação é da Folha de São Pauço.
De acordo com a reportagem, a decisão altera a interpretação de uma resolução do TSE publicada em março, que restringiu as recomendações algorítmicas de perfis e conteúdos informados pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Até então, as plataformas mantinham o bloqueio para todos os perfis declarados, inclusive os de políticos que já haviam sido eleitos.
No documento, Kassio estabeleceu que a restrição deve continuar valendo apenas para os candidatos que permanecem na disputa do segundo turno. Com isso, os perfis de quem encerrou a participação eleitoral após o primeiro turno ficam fora do bloqueio de recomendações.
A mudança ocorreu após políticos bolsonaristas procurarem o ministro para pedir uma nova interpretação da regra. Entre eles estava o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO).
Com a liberação, os conteúdos publicados por políticos eleitos podem voltar a ser sugeridos pelos algoritmos das plataformas a usuários que ainda não seguem essas contas. Antes, a ampliação do alcance dependia de impulsionamento pago.
Um levantamento do jornal com números registrados no fim de setembro mostra a força dos políticos bolsonaristas no Instagram. Nikolas Ferreira (PL-MG) liderava a lista, com 22,3 milhões de seguidores, enquanto Michelle Bolsonaro (PL-DF) ocupava a sexta posição, com 8,4 milhões.
Flávio Bolsonaro aparecia em terceiro lugar, com 11,9 milhões de seguidores. O senador, porém, continua sujeito ao bloqueio das recomendações algorítmicas por disputar o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tinha 15,4 milhões de seguidores e ocupava a segunda posição.
Os perfis de Nikolas e Michelle já utilizam suas redes sociais para fazer campanha para Flávio Bolsonaro. Com a mudança, as publicações dos dois podem alcançar novos usuários sem a necessidade de pagamento às plataformas.
A reportagem destaca que, dados da empresa de marketing e análise Zeeng também apontam a predominância de políticos de direita entre os nomes com maior influência no Instagram em 2026.
Entre os 100 políticos mais bem avaliados no primeiro semestre, 40% eram filiados ao Partido Liberal (PL). O Novo aparecia em seguida, com 9%, enquanto o Podemos concentrava 8% dos nomes.
Na divisão por espectro político, 55% dos integrantes do ranking eram de direita e 21% de centro-direita. A esquerda representava 11%, seguida pelo centro, com 8%, e pela centro-esquerda, com 5%.
Nikolas Ferreira liderava a lista, seguido por Michelle Bolsonaro e Lucas Pavanato (PL-SP). Os três foram eleitos no primeiro turno.
Para calcular a influência, a Zeeng considerou o engajamento médio por publicação entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, com base em dados da API oficial do Instagram, plataforma da Meta.
Segundo Eduardo Prange, presidente-executivo da empresa, o cruzamento entre o ranking de influência e os resultados eleitorais indica que a direita apresenta desempenho superior nas redes sociais. Ele afirmou que o uso consistente dessas plataformas para conversar com o público contribui para gerar votos.
Entre os 55 políticos de direita presentes no grupo dos 100 mais influentes, 39 foram eleitos, um chegou ao segundo turno, cinco não conseguiram se eleger e dez não disputaram as eleições. Na esquerda, dos 11 nomes incluídos no levantamento, sete foram eleitos, um chegou ao segundo turno, um não foi eleito e dois não concorreram.
A interpretação adotada pelo presidente do TSE foi questionada por Marilda Silveira, professora de direito eleitoral no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP). Ela afirmou que havia dúvidas sobre o período de aplicação das restrições, mas avaliou que o esclarecimento deveria ter sido feito pelo plenário do tribunal.
Segundo a professora, a decisão chama atenção porque o ministro presidente não teria competência para suprir uma omissão da resolução. Ela também considera inadequado alterar as regras a poucos dias do segundo turno, mesmo que a mudança fosse aprovada pelo colegiado.
Silveira afirmou que a medida pode favorecer candidatos com maior alcance nas redes sociais, uma vez que já é possível identificar quais políticos possuem as maiores bases de seguidores e capacidade de distribuição de conteúdo.
Para a especialista, uma mudança durante o processo eleitoral permite identificar previamente quem pode ser beneficiado ou prejudicado pela nova interpretação.
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