Justiça

Fachin estuda retirar casos Master e INSS das mãos de Mendonça no STF

Presidente do STF quer evitar que o Supremo seja utilizado em ataques entre Mendonça e Moraes  |  Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Publicado em 08/09/2026, às 16h44   Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil   Matheus Simoni

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, avalia retirar temporariamente do ministro André Mendonça as investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, Fachin assumiria os dois casos, numa tentativa de conter a crise aberta entre Mendonça e o também ministro Alexandre de Moraes.

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A medida vem sendo discutida por Fachin e seus auxiliares desde o último domingo (6). Ainda segundo a publicação, o presidente do Supremo reuniu seus assessores mais próximos para analisar alternativas diante do confronto entre Mendonça e Moraes. A ideia é demonstrar força e definir a resposta do tribunal à escalada das acusações.

Nos bastidores da Corte, ministros alinhados a Alexandre de Moraes defendem que Fachin retire Mendonça temporariamente dos casos enquanto persistirem questionamentos sobre os procedimentos adotados pelo relator, como a decisão proferida nesta terça-feira (8) que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A ordem de remover o chefe da corporação chegou a alcançar maioria em julgamento na Segunda Turma do Supremo, mas a análise foi interrompida após pedido de vista do decano do STF, o ministro Gilmar Mendes.

A ideia de Fachin, de acordo com a Folha, é evitar que os instrumentos institucionais do STF sejam utilizados para alimentar novos ataques entre integrantes do próprio Supremo.

Crise entre Mendonça e Alexandre de Moraes eleva tensão no STF (Foto: Carlos Moura/STF)

A crise ganhou dimensão pública na última semana, com decisões de Moraes e Mendonça envolvendo investigações que atingem diretamente um ao outro. Tudo começou com a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal, promovida por Mendonça. O documento expõe mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O material indicava uma proximidade entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. Em uma das conversas, dois dias antes de ser preso na Operação Compliance Zero em novembro de 2025, o banqueiro pergunta a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?".

Como resposta, Alexandre de Moraes acionou o presidente do STF pedindo que André Mendonça seja investigado. Moraes alega que há indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento de grupos políticos por parte de Mendonça na condução dos casos do Banco Master e do INSS. Inicialmente, Moraes tentou incluir o pedido no Inquérito das Fake News, mas o presidente da Corte barrou a manobra.

Interlocutres apontaram que a medida de Fachin foi adotada para que a regularidade da iniciativa de Moraes pudesse ser examinada fora de um procedimento sob sua própria relatoria. Fachin também sinalizou que pretende levar ao plenário do STF as acusações trocadas pelos ministros.

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