Justiça
O mais novo episódio envolvendo a troca de farpas entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, ambos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), marca uma série de outros atritos dos dois magistrados da mais alta corte do país. O mais recente aconteceu na segunda-feira (31), após Alexandre tomar conhecimento de que o colega havia pedido o aprofundamento de investigações sobre as conversas que ele teve Daniel Vorcaro.
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Segundo informações de pessoas próximas, os dois quase chegaram às vias de fato no gabinete de Moraes, que havia pedido um encontro com Mendonça para tratar do caso.
Alexandre de Moraes descobriu que André Mendonça havia determinado à PF que revelasse quem era o interlocutor de Vorcaro em uma conversa na qual eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em relatório, a Polícia Federal destacou que tratava-se de Moraes, inclusive com registros telefônicos entre os dois.
Não é a primeira vez que os dois trocam farpas públicas. Em maio de 2023, durante uma discussão no plenário do STF sobre o indulto concedido a Daniel Silveira, ex-deputado federal, Mendonça citou críticas de jornalistas e articulistas à pena aplicada pelo tribunal. Na ocasião, Moraes interrompeu o colega repetidas vezes para questionar a credibilidade e a formação jurídica dos personagens citados por Mendonça, evidenciando o contraste de visões jurídicas no plenário.
Relembre:
Meses depois, em 2023, Moraes e Mendonça voltaram a protagonizar um embate no plenário do STF, desta vez tendo o episódio do 8 de janeiro como pano de fundo. A data marca a tentativa de golpe de estado em Brasília, quando golpistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília.
O bate-boca entre Alexandre e Mendonça ocorreu durante o julgamento de Aécio Lúcio Costa Pereira, o primeiro réu pelos atos golpistas a ter o caso analisado pela Suprema Corte.
Em um determinado momento da sessão, Mendonça lembrou que foi ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, preso por conta do 8 de janeiro. Ele citou manifestações de 7 de Setembro e disse que agentes da Força Nacional poderiam ter sido acionados para evitar os ataques aos prédios públicos federais. Alexandre de Moraes, então, interrompeu o colega e afirmou que houve omissão no dia por parte da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal, que deveria reprimir os manifestantes nas vias públicas. Os dois bateram boca em meio ao episódio.
Veja:
Em agosto de 2025, os dois participaram do Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, e trocaram indiretas no mesmo dia, mas em horários diferentes. André Mendonça afirmou que "um juiz tem que ser reconhecido pelo respeito, não pelo medo", defendendo a moderação e decisões que pacifiquem. Como resposta, horas depois, Moraes rebateu afirmando que o Judiciário é corajoso e independente, disparando que, se um magistrado "não resiste à pressão, que mude de profissão".
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