Justiça

Saiba como a PF rastreou mensagens de Vorcaro a contato atribuído a Alexandre de Moraes

Antonio Augusto/STF
Perícia cruzou registros do iPhone de Vorcaro, capturas de tela, horários de aplicativos e arquivos temporários para reconstruir o caminho das mensagens enviadas ao contato atribuído a Alexandre de Moraes  |   Bnews - Divulgação Antonio Augusto/STF
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 01/09/2026, às 18h36



A Polícia Federal conseguiu reconstruir como Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preparava e enviava mensagens a um contato salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASILIA, atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O trabalho foi feito a partir da perícia no iPhone apreendido com Vorcaro e utilizou registros deixados pelo próprio aparelho para reconstruir a sequência das ações. O sigilo do relatório foi levantado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do STF.

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Segundo a PF, os investigadores identificaram um padrão que se repetia no celular do banqueiro. Vorcaro escrevia ou fazia alterações em textos no aplicativo de notas do iPhone, tirava uma captura de tela e, poucos segundos depois, abria o WhatsApp para enviar o conteúdo.

Para chegar a essa conclusão, os peritos utilizaram o IPED, ferramenta de análise forense de evidências digitais, que permitiu cruzar diferentes vestígios encontrados no aparelho, como os horários em que os aplicativos eram abertos e fechados, o momento em que as capturas de tela eram feitas e os registros do sistema operacional relacionados ao envio das mensagens.

A perícia também encontrou arquivos temporários em formato PDF que reproduziam exatamente o conteúdo das notas. De acordo com o relatório, esses arquivos eram criados automaticamente pelo iPhone no mesmo segundo ou até um segundo depois da captura de tela.

Com o cruzamento dessas informações, os investigadores conseguiram montar a sequência: Vorcaro escrevia a mensagem nas notas, fazia o print e, em seguida, enviava o conteúdo pelo WhatsApp.

“Alexandre de Moraes BRASILIA”


Às 16h32min31s, no horário UTC, Vorcaro fez uma captura de tela de uma nota. Cinco segundos depois, fechou o aplicativo de notas e abriu o WhatsApp. Às 16h33min03s, enviou uma mensagem para o número que, na agenda do celular, aparecia registrado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

printo do relatório da PF
Reprodução/Redes sociais

Segundo a perícia, o comportamento se repetia em outras ocasiões. Depois de produzir as capturas das notas, Vorcaro normalmente fazia uma primeira interação no WhatsApp com aquele contato.

O relatório, porém, não apresenta respostas atribuídas ao destinatário. Nas cinco mensagens recuperadas diretamente do WhatsApp e enviadas em 17 de novembro de 2025, a PF encontrou apenas os textos escritos por Vorcaro.

Em uma delas, o banqueiro pergunta: “Alguma novidade? Conseguiu ter noticia ou bloquear?”

Antes da prisão

As comunicações analisadas ocorreram em 17 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela PF.

O banqueiro foi detido em 18 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava deixar o país. O celular usado na perícia foi apreendido durante a prisão.

As cinco mensagens encontradas diretamente no WhatsApp também serviram para os investigadores testarem a metodologia utilizada na análise. Para cada uma delas, a PF identificou no aparelho um registro correspondente de envio.

A partir desse padrão, os peritos localizaram outros 47 arquivos que seguiam a mesma sequência de elaboração de texto, captura de tela e posterior envio pelo WhatsApp.

Ao todo, 52 notas foram analisadas pela Polícia Federal.

Classificação Indicativa: Livre

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