Justiça
Publicado em 15/09/2026, às 12h45 Rosinei Coutinho/STF Anderson Ramos
O ministro e decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, subiu o tom das críticas contra a decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal na semana passada.
Durante a sessão extraordinária desta terça-feira (15) que analisa a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes por envolvimento com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, Gilmar Mendes classificou o afastamento como uma atitude "sem noção" de "grande gravidade".
Qualquer cidadão que tenha o mínimo de noção que sabe que é a Policia Federal é um órgão armado submetido a hierarquia, não faria afastamento de um diretor-geral. É como afastar o diretor-presidente da Nasa, seria como afastar o comandante-geral do Exército. Não se faz. O sujeito tem que se algemar quando quiser fazer esse tipo de coisa e pedir que Deus interceda. Submeter uma instituição que já vive todos os problemas que tem a esse tipo de vexame, é de uma falta de noção, de uma gravidade que eu jamais vi”, disparou.
A fala foi rebatida por Luiz Fux, que defendeu a medida de Mendonça. Fux e Kássio Nunes Marques anteciparam o voto, formando maioria de três entre os cinco ministros que compõem a 2ª Turma, confirmando a decisão de Mendonça.
Nós temos a maior admiração pela Polícia Federal. A Polícia Federal sempre colaborou em prol do Poder Judiciário. O que não podemos aceitar é a Policia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário, instrumentalizar pessoas contra o Poder Judiciário. Só essa remessa desse documento apócrifo já é um exemplo significativo dos desvios da PF. Nunca se imaginou a PF peitar um ministro do STF e era isso que estava acontecendo”, afirmou Fux.