Justiça

Gilmar Mendes retira suspensão de processos que tratam da "pejotização" na Justiça do Trabalho

Decisão de Gilmar Mendes estabelece que a suspensão voltará a valer após o julgamento dos casos pelos TRTs  |  Fellipe Sampaio/SCO/STF

Publicado em 18/06/2026, às 19h00   Fellipe Sampaio/SCO/STF   Bernardo Rego

Uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), determinou a retirada da suspensão dos processos que discutem se é legal a contratação de trabalhador autônomo ou de pessoa jurídica para a prestação de serviços, prática conhecida como “pejotização”. A medida vale apenas para a primeira e a segunda instâncias da Justiça do Trabalho.

Na decisão, Mendes considerou que a suspensão dos processos ainda em fase de instrução (produção de provas) ou pendentes de julgamento produziu um “significativo represamento”. Por essa razão, avaliou ser recomendável o prosseguimento dos processos perante os juízos de primeiro grau e os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), permitindo a completa instrução processual e o julgamento.

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"A suspensão indistinta dos processos ainda em fase de instrução ou pendentes de julgamento pelas instâncias ordinárias tem produzido significativo represamento da prestação jurisdicional, retardando a formação do conjunto probatório, a delimitação das questões fáticas controvertidas e a resolução de matérias que não se confundem com a
controvérsia constitucional submetida à sistemática da repercussão geral", esclareceu o ministro em um trecho da decisão.

“Tal providência não compromete a autoridade da futura decisão desta Corte nem a uniformização da interpretação constitucional da matéria, uma vez que eventuais divergências permanecerão sujeitas à incidência da tese vinculante a ser posteriormente fixada pelo Supremo Tribunal Federal”, acrescentou o ministro.

A decisão estabelece que a suspensão voltará a valer após o julgamento dos casos pelos TRTs. A partir dessa etapa, os processos deverão permanecer suspensos até o julgamento definitivo da tese sobre a “pejotização” pelo STF.

Pejotização

A suspensão nacional havia sido determinada em abril do ano passado. Na ocasião, Gilmar Mendes considerou que a controvérsia sobre a legalidade desses contratos havia sobrecarregado o STF, diante do elevado número de reclamações contra decisões da Justiça do Trabalho que, em diferentes graus, deixavam de aplicar entendimento já firmado pela Corte sobre a matéria.

A “pejotização” consiste na contratação de um trabalhador por meio de pessoa jurídica constituída para a prestação de serviços. Esse modelo é comum em diversos setores, como representação comercial, corretagem de imóveis, advocacia associada, saúde, artes, tecnologia da informação e serviços de entrega, entre outros.

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