Justiça
Publicado em 09/03/2026, às 22h05 Foto: Youtube/ BNews TV Claudia Cardozo
Com o edital para novos defensores públicos na praça, a carreira está sob os holofotes, mas ainda cercada de mitos. A presidente da Associação das Defensoras e Defensores Públicos da Bahia (ADEP-BA), Bethânia Ferreira, aproveitou o JusNews Podcast para desmistificar a visão de que o defensor faz um trabalho de "assistencialismo". Com salário de R$ 29 mil, a carreira tem sido um atrativo para muitos operadores do direito.
Precisamos parar de achar que quem não tem condições financeiras só merece solidariedade e caridade. Essas pessoas merecem direitos, e nós somos profissionais técnicos preparados para garantir isso", defendeu, destacando que a dificuldade do concurso público é prova da alta qualificação exigida.
Bethânia, que ingressou na instituição em 2008, relembrou sua trajetória em áreas pesadas como a execução penal e conflitos de moradia, provando que o trabalho exige "estômago" e coragem. "Ser defensor público é um exercício de coragem, porque você está em uma instituição contramajoritária, garantindo direitos de quem muitas vezes é invisível", explicou.
Ela compartilhou que o contato com a realidade das ruas transforma o profissional:
Eu não seria a pessoa que sou hoje se não fosse defensora. A carreira permite sair do seu micromundo e entender que o mundo não é só o que você vive".
Sobre a liderança feminina na classe, onde as mulheres são maioria, a presidente ressaltou que a luta por equidade é interna e externa. "A gente tem o desafio do gênero, mas também tem a coragem do gênero. Estar em um espaço de poder sendo mãe de criança pequena é uma jornada tripla ou quádrupla", afirmou.
Ao incentivar quem estuda para o cargo, ela pontuou que, apesar da necessidade de melhorias salariais para alcançar a simetria com outras carreiras, a gratificação é social:
Temos orgulho de ser o instrumento técnico que leva direito para a população mais alijada do nosso estado".