Justiça

Justiça italiana adia mais uma vez decisão sobre extradição de Zambelli para o Brasil

Corte de Roma alega necessidade de mais tempo para analisar condições da penitenciária brasileira  |  Lula Marques/Agência Brasil

Publicado em 20/01/2026, às 17h48   Lula Marques/Agência Brasil   Cibele Gentil

A Corte de Apelação de Roma decidiu, nesta terça-feira (20), adiar novamente o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli. O tribunal italiano justificou a medida afirmando que não houve tempo hábil para analisar as informações enviadas pelo governo brasileiro sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde a ex-parlamentar deverá cumprir pena caso retorne ao país. O caso deve ser retomado apenas na primeira quinzena de fevereiro.

Este é o segundo adiamento do processo. Em dezembro, a análise já havia sido suspensa após a defesa solicitar prazo para examinar documentos remetidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Enquanto isso, Zambelli permanece detida em território italiano desde julho do ano passado. O Ministério Público da Itália já emitiu parecer favorável ao envio da ex-deputada ao Brasil, mas a palavra final depende do entendimento dos magistrados.

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Histórico de condenações e argumentos da defesa

Carla Zambelli tem duas condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira refere-se à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizada em colaboração com o hacker Walter Delgatti. A segunda condenação envolve os crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, decorrentes do episódio em que a então parlamentar perseguiu um homem sob mira de revólver em São Paulo, em 2022.

Zambelli deixou o Brasil pouco antes do esgotamento dos recursos judiciais, o que foi interpretado pelas autoridades como fuga. Em sua estratégia de defesa, os advogados da ex-deputada sustentam que ela é alvo de perseguição política e judicial, além de questionarem a precariedade do sistema carcerário brasileiro. Para contrapor esses argumentos, o ministro Alexandre de Moraes enviou relatórios garantindo que a unidade prisional destinada a Zambelli possui assistência médica, segurança e salubridade, destacando a não há histórico de rebeliões no local.

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