Justiça
Publicado em 01/09/2026, às 18h52 Carlos Moura/STF Matheus Simoni
As provas obtidas pela Polícia Federal que citam diretamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes podem ser anuladas por terem sido obtidas de forma irregular. É o que defende um grupo de ministros da Suprema Corte, sob condição de anonimato. Os magistrados foram ouvidos pela reportagem do Correio Braziliense, que detalhou que o material obtido sem a autorização prevista no regimento pode não servir para uma denúncia ou investigação.
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Isso porque, segundo avaliação dos magistrados, para que a investigação tivesse curso, teria sido necessário que o relator do Caso Master no STF, André Mendonça, solicitasse autorização dos demais membros da Corte, já que trata-se de um colega de plenário. André Mendonça indicou que o caso deve ser levado ao plenário pelo presidente do Tribunal, Edson Fachin, que ainda não se manifestou.
Nos bastidores, segundo a publicação, uma eventual abertura de investigação contra Moraes abriria precedente para mirar também os ministros Dias Toffoli, Kassio Nunes e Luiz Fux, que já foram citados anteriormente em situações envolvendo o Master.
A tendência é que Fachin convoque uma reunião administrativa para discutir a situação internamente. Uma ofensiva por parte do Senado, a quem cabe julgar integrantes do Supremo, também não está descartada.
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A movimentação acontece após ser tornado público um relatório da Polícia Federal sobre mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
O relatório reúne mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes e a outros destinatários.
Entre outros pontos apontados na investigação, o relatório aponta que o banqueiro teve uma série de encontros com Moraes entre 2024 e 2025 e que enviou mensagens ao ministro antes de ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero em 17 de novembro de 2025.
A PF também aponta, entre outros detalhes, que Moraes teria modificado um contrato de R$ 130 milhões entre o escritório da sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o próprio Vorcaro. O banqueiro ainda teria dito em mensagens que o pagamento ao escritório de Viviane era o “mais importante”. Em mensagem a um sócio, o dono do Master reclamou que o valor não havia sido pago.
Outras mensagens citam tratativas de Vorcaro para custeio de viagens do diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para um evento em Londres.
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