Justiça

Moraes quebra silêncio, acusa Mendonça de investigação “ilegal” e fala em “vingança” no caso Banco Master

Ministro do STF nega ter favorecido Daniel Vorcaro e afirma que mensagens encontradas no celular do banqueiro não foram escritas por ele  |  Luiz Silveira/STF

Publicado em 15/09/2026, às 06h58   Luiz Silveira/STF   Redação Bnews

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega André Mendonça de conduzir uma investigação “inconstitucional e ilegal” sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em manifestação enviada ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes afirmou que a iniciativa ocorreu por “vingança” e negou ter favorecido o banqueiro. O plenário do Supremo se reúne nesta terça-feira (15) para analisar os desdobramentos do caso.

“De maneira absolutamente inconstitucional e ilegal, o ministro relator determinou, de ofício, a realização de atos de investigação em relação a um ministro da Corte”, escreveu Moraes.

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O ministro afirmou que a ação seria resultado de uma “vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”.

Moraes também disse que não há mensagens de sua autoria no relatório da Polícia Federal (PF). Segundo o ministro, os investigadores tentam atribuir a ele textos que foram encontrados no bloco de notas do celular de Vorcaro.

Ele negou ainda ter favorecido o dono do Banco Master e afirmou que não houve prejuízo às investigações, já que Vorcaro foi preso.

“Não há nenhuma, absolutamente nenhuma mensagem de autoria do ministro Alexandre de Moraes que indique qualquer consultoria jurídica, favorecimento ou conhecimento prévio de qualquer operação policial”, escreveu.

Mensagens encontradas no celular de Vorcaro
A crise teve origem em um relatório produzido pela Polícia Federal a pedido de André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master. O documento foi elaborado a partir do material apreendido no celular de Daniel Vorcaro.

Entre as mensagens analisadas pelos investigadores estavam referências a Alexandre de Moraes. Mendonça encaminhou o relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR), dando início a questionamentos sobre a existência de elementos que justificassem uma investigação envolvendo o ministro.

A PGR se manifestou contra o prosseguimento da apuração e questionou a forma como o relatório foi produzido. A discussão acabou provocando uma disputa entre integrantes do Supremo.

Moraes reage e pede investigação contra Mendonça
A reação de Moraes abriu uma segunda frente na crise. O ministro passou a questionar a atuação de Mendonça e pediu que fossem investigadas as circunstâncias em que o colega determinou diligências relacionadas às mensagens de Vorcaro.

Moraes chegou a incluir a apuração sobre Mendonça no Inquérito das Fake News, aberto em 2019 e então conduzido por ele. Fachin posteriormente retirou o episódio desse inquérito e abriu um procedimento separado para analisar os fatos.

O Supremo passou, então, a lidar simultaneamente com questionamentos sobre a conduta dos dois ministros: as mensagens envolvendo Moraes e a atuação de Mendonça na investigação.

Sigilo do caso Master vira novo ponto de conflito
Outro foco de tensão é o sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e a definição sobre quem pode ter acesso ao material apreendido pela Polícia Federal.

Moraes cobrou acesso à íntegra das mensagens de Vorcaro e questionou decisões de Mendonça que mantiveram parte do conteúdo sob sigilo.

A disputa envolve quais ministros, órgãos de investigação e partes podem consultar o conteúdo completo das conversas e quais informações podem ser utilizadas nas apurações.

Fachin assume relatoria e tenta controlar crise
Como presidente do STF, Edson Fachin passou a conduzir diretamente parte das discussões sobre o caso. Fachin retirou a investigação sobre Mendonça do Inquérito das Fake News, pediu esclarecimentos aos envolvidos e assumiu a relatoria do procedimento relacionado às mensagens envolvendo Moraes.

Por ser o relator, Fachin será o primeiro a se manifestar na sessão desta terça-feira. Depois, os demais ministros poderão apresentar seus votos e posições.

O julgamento pode não terminar no mesmo dia. Qualquer ministro pode pedir vista e interromper a análise. Pelo regimento do Supremo, o processo deve ser devolvido para julgamento em até 90 dias.

Afastamento de diretor da PF amplia disputa
A crise ganhou outra dimensão quando André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão provocou reação da Advocacia-Geral da União (AGU).

Fachin deu prazo para Mendonça prestar informações sobre o recurso apresentado pela AGU. Antes da conclusão dessa etapa, Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal.

O episódio ampliou a disputa sobre a condução da crise dentro do Supremo.

Paulo Gonet também aparece na controvérsia
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também entrou no centro da discussão. O nome de Gonet apareceu em referências encontradas no material atribuído a Vorcaro.

Gonet questionou a validade do relatório da Polícia Federal e defendeu que o documento fosse anulado. As citações ao procurador-geral também passaram a ser analisadas pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal.

A sessão desta terça-feira deve discutir os desdobramentos das mensagens envolvendo Moraes. Uma nova frente da crise já está prevista para o dia 23, quando os ministros deverão analisar um pedido de investigação envolvendo André Mendonça.

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