Justiça

Operação Faroeste: Após TJBA acatar punição de desembargadora, STJ reconhece inocência de advogado citado em investigação

Diferente de outros réus, Bôer foi retirado da Operação Faroeste antes de se tornar réu, uma vitória para sua defesa  |  Foto: Divulgação

Publicado em 10/03/2026, às 10h45   Foto: Divulgação   Claudia Cardozo

Enquanto o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) vira a página administrativa da desembargadora Ilona Márcia Reis, oficializando sua aposentadoria compulsória nesta semana, uma informação não pode passar despercebida. O advogado Fabrício Bôer da Veiga, que chegou a figurar no olho do furacão da Operação Faroeste, foi formalmente inocentado após um movimento raro no Judiciário: o próprio Ministério Público Federal (MPF) admitiu que não havia provas para sustentar a acusação.

O pedido de rejeição

O caso de Fabrício Bôer foi marcado por um reconhecimento de erro pela própria Procuradoria-Geral da República. Em uma manifestação enviada ao STJ, o subprocurador-geral da República, Carlos Frederico Santos, admitiu que as provas contra o advogado não se sustentavam. "A instrução não confirmou os indícios que outrora justificaram o oferecimento da denúncia", destacou o órgão ministerial, pedindo formalmente que o advogado fosse retirado do processo.

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A decisão unânime no STJ

Em junho de 2024, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu o relator, ministro Og Fernandes, e rejeitou a denúncia contra Bôer por unanimidade. O entendimento foi de que a conduta do profissional não passou do exercício regular da advocacia, sem qualquer "suporte probatório mínimo" que o ligasse a negociações ilícitas.

Diferente dos outros réus da ação penal, como Marcelo Junqueira e Júlio César Ferreira, que seguem respondendo ao processo, Fabrício foi excluído antes mesmo de se tornar réu, o que no mundo jurídico é considerado uma vitória absoluta da tese de defesa.

Tribunal de Ética da Ordem

O processo contra o advogado no Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA) já tem parecer favorável pelo arquivamento da reclamação, diante da rejeição da denúncia no STJ. "Manter este processo ou punir o advogado seria condenar alguém que o Estado-Juiz já declarou inocente", diz o documento obtido pelo BNews. A sessão para definir pela absolvição do advogado no âmbito administrativo está marcada para o dia 16 de abril.

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