Justiça
Publicado em 21/08/2026, às 11h40 Foto: Divulgação Claudia Cardozo
A Corregedoria Judicial do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar o sumiço dos autos físicos de uma ação possessória em Formosa do Rio Preto, no extremo oeste do estado. O processo envolve Joílson Gonçalves Dias, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como operador financeiro do esquema desarticulado pela Operação Faroeste.
Joilson é filho do borracheiro José Valter Dias, considerado o maior latifundiário da Bahia, sendo dono de terras que, segundo o MPF, foram griladas. A portaria, assinada pelo corregedor, desembargador Emílio Salomão Resedá, mira a conduta da servidora Alaéce Moreira dos Santos, escrivã da Vara de Jurisdição Plena da Comarca de Formosa do Rio Preto. O procedimento vai verificar se houve quebra dos deveres de zelo e custódia referentes ao acervo documental sob sua guarda.
A investigação interna ficará sob a responsabilidade do juiz auxiliar da Corregedoria, Marcos Ledo, que recebeu o prazo de 60 dias para a apresentação do relatório final.
A ação de interdito proibitório tramita desde 2008 e trata de uma disputa por terras na região oeste. A ação foi movida por Ademir Antonio Marcon, Devanira Rorato Marcon e Marcelo Ricardo Marcon contra Joílson Gonçalves Dias.
O desaparecimento dos documentos foi identificado durante os trabalhos de virtualização do acervo da unidade. A Unidade de Apoio ao Judiciário (UNIJUD) comunicou à 1ª Vara Cível local que o processo não constava na base de dados da empresa contratada para realizar a digitalização. Antes da instauração do PAD pela Corregedoria, a juíza substituta Tônia Barouche chegou a expedir despachos determinando buscas internas pela guia de remessa e oficiando a presidência do tribunal.
Joílson Gonçalves Dias é filho de José Valter Dias, o "borracheiro" apresentado como suposto titular de mais de 300 mil hectares de terras em Formosa do Rio Preto, cuja disputa deu origem às investigações da Operação Faroeste sobre grilagem e compra de decisões judiciais no tribunal baiano.
Nas apurações federais, Joílson é descrito como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa. Ele constava como sócio majoritário da JJF Holding (com 49% de participação), ao lado de Geciane Maturino, esposa do falso cônsul Adailton Maturino. De acordo com a acusação, a pessoa jurídica era utilizada para movimentar recursos ilícitos e conferir aparência jurídica formal aos terrenos apropriados irregularmente na região.