Justiça
Publicado em 07/11/2026, às 08h35 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
O advogado Willer Tomaz se manifestou publicamente após ter seu nome associado à empresa que transferiu R$ 17,7 milhões para a Talismã Digital, agência fundada por Virginia Fonseca. Investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, ele negou ser sócio ou acionista da AMP Pay Marketing e Negócios, responsável pelos pagamentos.
Em comunicado divulgado na noite desta sexta-feira (6), Tomaz afirmou que nunca teve qualquer vínculo com a empresa e disse não conhecer seus proprietários. O advogado também contestou a informação de que teria declarado participação societária na companhia em um documento enviado ao Magnum Bank.
“Não conheço os donos dessa empresa. Nunca tive qualquer vínculo com ela. De onde tiraram isso?”, questionou.
Segundo Willer, o banco havia solicitado uma relação de empresas com as quais mantinha ligação. Ele afirma que excluiu expressamente a AMP Pay do formulário encaminhado à instituição financeira e criticou a divulgação de informações sobre o documento.
A negativa do advogado ocorre após a divulgação de documentos obtidos pela Polícia Federal que apontariam uma declaração dele, em 2024, na qual se identificava como sócio ou acionista da AMP Pay.
A informação foi citada em reportagens sobre a investigação e integra os elementos que levaram os investigadores a apurar a possível utilização da empresa em movimentações financeiras suspeitas.
A AMP Pay realizou cinco transferências via Pix para a Talismã Digital entre março e setembro de 2024. Os pagamentos somaram R$ 17,7 milhões e foram comunicados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) após o Banco Santander identificar características atípicas nas operações.
Nos registros oficiais da Receita Federal, Guilherme Maciel aparece como proprietário da empresa. Ele também negou conhecer Willer Tomaz e afirmou que a AMP Pay atuava regularmente como intermediadora de pagamentos.
Após a repercussão dos repasses milionários, a assessoria de Virginia afirmou que os valores recebidos pela Talismã Digital correspondiam a campanhas publicitárias devidamente contratadas. A equipe, porém, não detalhou quais serviços foram prestados para justificar o montante.
A influenciadora também negou conhecer Willer Tomaz ou ter mantido qualquer contato ou negociação com ele. Segundo a defesa, o advogado não aparece como parte em nenhum contrato firmado por Virginia.
À época das transferências, a empresária realizava campanhas publicitárias para a Blaze, plataforma de apostas que também aparece no contexto das investigações envolvendo o advogado.
Em sua manifestação, o advogado ainda mencionou ter acionado judicialmente a própria casa de apostas. Ao comentar a relação entre a plataforma, os repasses e seu nome, questionou a possibilidade de controlar uma empresa que estaria sendo processada por ele.
“Alguém processa a empresa que supostamente controla?”, declarou. Sobre os pagamentos à influenciadora, afirmou que os envolvidos nas operações é que devem prestar esclarecimentos.
A Polícia Federal investiga suspeitas de que Willer tenha utilizado empresas, instituições financeiras e plataformas de apostas para movimentar recursos de origem suspeita. As apurações também buscam esclarecer possíveis conexões do advogado com a Blaze.
Segundo dados do Ministério da Fazenda mencionados nas reportagens sobre o caso, Tomaz movimentou cerca de R$ 6,6 bilhões em apostas de quota fixa ao longo de 2025, sendo identificado como o maior apostador individual do país naquele ano. O volume movimentado não representa necessariamente dinheiro próprio desembolsado, já que inclui valores que podem ter circulado repetidamente nas plataformas.
Até o momento, as suspeitas investigadas não representam comprovação de participação do advogado na AMP Pay ou de irregularidade nos pagamentos recebidos pela empresa de Virginia.