Cultura
Publicado em 02/12/2025, às 15h00 Reprodução/ TV Brasil Bernardo Rego
Celebrado no 2 de dezembro, o Dia do Samba é uma data emblemática no Brasil mais especialmente na Bahia por ser o ponto de origem deste gênero musical que representa tão fortemente a cultura brasileira.
Citado em diversos versos musicais o samba é uma mistura de ritmos que diz muito do que é o Brasil, um país onde a música pulsa e alegra os quatro cantos.
O Bnews conversou com o professor e pesquisador Gustavo de Melo, mestre em Etnomusicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), para entender de que maneira as variações e formas do samba executadas nas comunidades influenciam e contribuem para que o samba se perpetue sem perder a sua essência.
Para Melo, o samba classificado como raiz é "uma mutação de muitas coisas". "O toque ancestral oriundo do candomblé de Angola conhecido como "Cabila", usado nas festas em homenagem aos donos da terra, ou candomblé de caboclo, talvez seja o embrião de toda essa cultura do samba", explicou. Ele acrescentou ainda que é natural haver a incorporação de outros elementos ao que se chama da matriz porque, na visão dele, tudo isso é muito natural já que a cultura é viva.
O pesquisador pontuou ainda que os ditos "pagodes" atuais têm uma proximidade com o sertanejo, do funk, trap. "Na Bahia, o nosso samba de roda deu origem ao "pagodão" que da mesma maneira do samba clássico produzido no Rio de janeiro, introduziu elementos da cultura pop, com sintetizadores, guitarras etc", afirmou.
Gustavo disse ainda que também houve a chegada do samba junino que surgiu na onda dos blocos afros, trazendo um samba mais próximo do candomblé e o samba de caboclo.
"Tradicionalmente tocado nas ruas, nos arrastões de maio e junho, trazia cantigas de caboclo, adaptando o toque do cabila para uma forma mais urbana, tal como o samba carioca (com marcação, timbal e tamborim), porém com músicas de tradição dos terreiros de candomblé e músicas autorais, quase sempre falando da festa de São João. Dessa forma, não creio que a essência tenha sido perdida. Claro que é importante que existam mecanismos para conservar nossas raízes, tal qual foram criadas. Talvez como referência. Mas não vejo como mudar esse caminho, que me parece natural. O samba é produzido por pessoas, e essas pessoas naturalmente procuram novidades para suas criações", alertou.
O professor ainda pontuou a música está no subconsciente afetivo da população brasileira, principalmente afro descendente. E os sambas tornaram-se clássicos, que exaltam a história, cultura, e as tradições de um povo.
"Musicalmente falando, são canções belíssimas, cujas melodias são bem estruturadas e, normalmente trazem uma poesia forte. Elas ainda nos emocionam, não apenas pelo valor de seus temas, que nos leva numa viagem ao passado, presente e futuro, mas também pela qualidade literária. É só ouvir Cartola, Candeias, Martinho da Vila, Bete Carvalho etc. E a produção continua com, hoje considerados clássicos, Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Xande de Pilares etc. O nosso samba baiano, ou samba junino, que agrega a cultura das comunidades dos bairros populares de Salvador e que nos faz encher os olhos de lágrimas... O samba é mais que apenas uma música. É um patrimônio da nossa população, algo que nos exalta e nos torna mais humanos", concluiu.