Economia & Mercado

Assalto em 40 segundos expõe falhas na segurança de shoppings em Salvador, avalia representante dos lojistas

Dois adolescentes, de 15 e 13 anos, assaltaram uma perfumaria e causaram prejuízo estimado em R$ 16 mil; representante dos lojistas cobra mais segurança nos centros comerciais  |  Reprodução

Publicado em 21/08/2026, às 04h00   Reprodução   Adelia Felix

Um furto de R$ 16 mil em perfumes em 40 segundos dentro do Shopping da Bahia, nesta quarta-feira (19), voltou a colocar a segurança dos centros de compras no centro do debate. O que mais chamou atenção foi o perfil dos suspeitos: dois irmãos, de 13 e 15 anos, com nada menos que 34 passagens pela polícia.

Diante da situação, o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas Bahia), Paulo Motta, criticou a segurança dos shoppings, classificando o investimento na proteção aos lojistas como "muito frágil".

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A preocupação do setor não é à toa. O assalto cometido pelos adolescentes soma-se a um retrospecto recente e assustador nos maiores shoppings da capital baiana neste ano.

Um dos casos de grande repercussão ocorreu em março, no Salvador Shopping. Na ocasião, três mulheres de uma mesma família foram sequestradas no estacionamento e mantidas em cativeiro no Subúrbio, a mando de um presidiário que operava o crime por videochamada.

Em julho, a segurança do Shopping Barra até conseguiu barrar um furto de roupas na C&A. Na ocasião, o homem tentou furtar 18 bermudas, mas acabou preso pela Polícia Militar (PM).

'É muito preocupante'

Em entrevista ao BNews, Paulo Motta afirmou que o caso expõe uma vulnerabilidade na segurança dos centros de compras, especialmente diante dos altos custos pagos pelos lojistas.

“Eu considero muito frágil o investimento em segurança oferecido aos lojistas, locatários dos equipamentos de shopping, que pagam um custo extremamente alto de condomínio para ter esse tipo de atendimento, segurança e serviços. No instante em que acontecem situações desse tipo, mostra que tem algo que não está batendo, que está vulnerável. É muito preocupante essa situação de segurança que estamos vivenciando, não só na cidade, no nosso estado, mas no nosso país. O país está muito, muito desassistido em termos de segurança”, avaliou.

Assalto aconteceu em pouco mais de 40 segundos

O assalto aconteceu em pouco mais de 40 segundos. Câmeras de segurança da perfumaria registraram o momento em que um dos adolescentes usou uma faca e uma arma para ameaçar uma vendedora, enquanto o outro recolhia os perfumes e colocava os produtos em uma mochila.

Mesmo com pessoas circulando pelos corredores do shopping e em uma loja em frente à perfumaria, ninguém percebeu a ação.

Prejuízo também afeta o comércio

Para o presidente do Sindilojas Bahia, os efeitos de ocorrências como essa vão além do prejuízo direto causado pelo roubo. Segundo ele, a sensação de insegurança também pode afetar a presença dos consumidores nos centros comerciais.

“Afasta o consumidor. No instante em que existe esse risco, essa situação em que qualquer equipamento de shopping está exposto, lamentavelmente, isso faz com que haja um esvaziamento da presença do consumidor nas áreas. E, com isso, traz um prejuízo enorme de condomínio, de locação, de serviços e de toda a estrutura de um equipamento muito forte, que é o shopping center”, acrescentou.

Ressarcimento deve ser discutido de forma coletiva

Questionado sobre a possibilidade de um lojista buscar ressarcimento da administração do shopping em caso de prejuízo, Paulo Mota afirmou que a questão deveria ser tratada de forma coletiva.

“Isso é uma situação que tem que ser examinada de maneira coletiva, não individual. Se toda a categoria lojista estabelecida no shopping sente que está vulnerável, é necessária uma ação coletiva. O Sindilojas sempre se põe à disposição para que toda essa categoria lojista ali estabelecida crie um termo de convivência, de harmonia e também de defesa dos interesses de cada lojista”

Presença do Estado

Paulo Mota também afirmou que a entidade mantém interlocução com o governo do Estado sobre problemas de segurança que atingem não apenas os shoppings, mas também o comércio de rua.

“Nós temos procurado manter o diálogo com o governo do Estado. Não é só no comércio de shopping, no comércio de rua, temos problemas sérios na Avenida 7 e em outras áreas abertas da cidade pela falta da presença do Estado. O problema hoje do Sindilojas, que já dissemos ao governo, é que falta a presença do Estado para dar segurança aos consumidores”, lamentou.

E-commerce

Segundo o presidente do sindicato, a preocupação com a segurança também se relaciona ao avanço do comércio eletrônico. Para ele, consumidores que deixam de frequentar áreas comerciais podem optar por comprar pela internet.

“A coisa é mais séria. Tem o e-commerce. Então, o consumidor, sentindo essa fragilidade nas áreas comerciais, compra em casa, recebe em casa e, com isso, enfraquece ainda mais a atividade econômica, não só dos shoppings, mas do comércio como um todo. Estamos vivendo uma grande transformação na atividade econômica, que tem o e-commerce como um instrumento ativo e forte para nos substituir”, diz.

Ao ser questionado sobre as diferenças de custos entre quiosques e lojas de departamento, Mota explicou que os valores podem variar bastante de acordo com o tipo de estabelecimento. Segundo ele, tanto os quiosques quanto as lojas de departamento são afetados pelos “altos custos” relacionados à estrutura dos shoppings, incluindo segurança e estacionamento.

Dupla armada faz a limpa em loja de perfumes de luxo dentro de shopping em área nobre de Salvador. Um dos suspeitos estava com uma faca e também teria uma arma de fogo. Duas funcionárias foram ameaçadas durante o assalto. O prejuízo inicial foi de R$ 16,2 mil.

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— bnewsvideos (@bnewsvideos) August 20, 2026

O presidente do Sindilojas também afirmou que o estacionamento representa outro fator que pesa sobre a atividade econômica, já que o consumidor precisa arcar com esse custo para acessar o shopping. Na avaliação de Mota, todos esses fatores acabam onerando o comércio. Ele classificou o país como “muito desorganizado”.

“Todos são vítimas da fragilidade que o shopping está enfrentando, tanto na segurança quanto no estacionamento, que é caro. Está sendo cobrado para você estacionar o carro, ir para o shopping, entrar, sair, tem esse custo. Então, tudo isso são fatores que oneram a atividade econômica. Estamos vivendo um país muito desorganizado, verdade é essa”, finaliza.

O que diz o Shopping da Bahia

Após o assalto, o shopping afirmou que a polícia foi acionada imediatamente, além de ter prestado todo o apoio às vítimas. A empresa também declara se manter à disposição das autoridades para contribuir com as investigações.

"O shopping informa que acionou a polícia imediatamente, prestou todo apoio à lojista e está à disposição das autoridades para contribuir com as investigações", declarou.

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