Economia & Mercado

Banco Central aciona MPF para congelar R$ 11,5 bilhões em fundos ligados ao Banco Master

Órgão regulador suspeita que recursos administrados pela Reag Trust foram desviados por meio de laranjas e operações fraudulentas  |  Divulgação / Banco Master

Publicado em 03/01/2026, às 11h52   Divulgação / Banco Master   Cibele Gentil

O Banco Central (BC) formalizou um pedido ao Ministério Público Federal (MPF) para o congelamento de R$ 11,5 bilhões em fundos de investimento administrados pela Reag Trust. O órgão regulador suspeita que o montante tenha sido utilizado em um esquema de fraudes estruturadas atribuídas ao Banco Master e ao seu proprietário, Daniel Vorcaro.

A denúncia, encaminhada na véspera da liquidação do banco em novembro de 2025, aponta indícios de gestão fraudulenta e desvio de recursos para contas em nome de "laranjas". Esta é a segunda representação do BC contra a instituição; a primeira envolvia a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao Banco de Brasília (BRB).

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O mecanismo da fraude

Segundo as investigações, o esquema, que ocorreu entre julho de 2023 e julho de 2024, operava através de um ciclo de triangulação financeira. O Master emprestava dinheiro a empresas parceiras, que não tinham uma relação direta com o banco. Em vez de investir no negócio, essas empresas aplicavam o capital em fundos da Reag Trust. Então, o gestor do fundo utilizava o dinheiro para comprar "ativos podres" (sem valor de mercado) por preços supervalorizados. O lucro dessa venda circulava entre diversos fundos até chegar a beneficiários ligados ao grupo Master.

De acordo com o BC, a manobra servia para retirar dinheiro do balanço oficial do banco, burlando os limites de risco exigidos pela legislação bancária e mascarando a falta de liquidez da instituição. Para ocultar o crime, os empréstimos possuíam carência de quatro anos, adiando a percepção de que as dívidas não estavam sendo pagas.

Crise de liquidez e investigação

O esquema começou a colapsar no final de 2024, quando o Banco Master enfrentou uma crise de confiança e dificuldade para captar novos recursos via CDBs. Sem dinheiro para pagar dívidas vencidas, a instituição teria passado a "fabricar" ativos, como as carteiras de crédito consignado vendidas ao BRB.

Em relatório enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), o Banco Central destacou que houve um inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios realizados sem garantias reais e liquidez, o que agravou a crise da instituição. TCU segue em andamento para apurar se houve omissão do BC na fiscalização do banco antes da sua quebra.

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