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Economia & Mercado

BRB admite à PF que ainda não recuperou R$ 2,5 bilhões em ativos do Banco Master

Em depoimento no STF, ex-presidente da instituição estatal afirma que liquidação do Master interrompeu processo de devolução de recursos  |  Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Publicado em 31/12/2025, às 20h58 - Atualizado às 21h17   Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília   Cibele Gentil

O Banco Regional de Brasília (BRB) enfrenta dificuldades para reaver R$ 2,5 bilhões investidos na compra de carteiras de crédito do Banco Master. A informação foi revelada pelo ex-presidente do banco público, Paulo Henrique Costa, durante acareação realizada pela Polícia Federal (PF) no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (30).

O montante faz parte de uma transação de R$ 12,7 bilhões em ativos que o Banco Central (BC) considerou inconsistentes. Embora o Master tenha substituído R$ 10,2 bilhões desses créditos, o restante da operação foi travado após o BC decretar a liquidação do banco de Daniel Vorcaro em novembro.

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Operação sob suspeita

A transação é o ponto central da Operação Compliance Zero, da PF. Investigadores apuram se a compra das carteiras de crédito, que antecederia a aquisição total do Master pelo BRB, causou prejuízo ao erário.

A PF suspeita que o rombo possa ser ainda maior, alcançando R$ 5 bilhões, uma vez que parte dos ativos oferecidos como substituição não possui liquidez imediata. Costa, no entanto, alegou em depoimento que esses ativos foram adquiridos com 30% de deságio, o que permitiria ganho futuro com sua venda ou desenvolvimento.

Garantias

Em nota oficial, o BRB afirmou que aguarda a conclusão das apurações para avaliar eventuais prejuízos e tomar as medidas cabíveis. A instituição ressaltou que, dos R$ 12,76 bilhões citados, mais de R$ 10 bilhões já foram liquidados ou substituídos e que o processo foi acompanhado pelo Banco Central. Tamém informou que existem R$ 1,7 bilhão em títulos do tesouro americano e R$ 9 bilhões em garantias adicionais para cobrir eventuais perdas.

O advogado de Paulo Henrique Costa, Cléber Lopes, afirmou que não houve contradições no depoimento e que a atuação do ex-presidente foi baseada em decisões técnicas e colegiadas. Atualmente, uma auditoria externa conduzida pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll analisa os detalhes dos contratos.

Classificação Indicativa: Livre


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