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Carnaval de Salvador: Motoristas de aplicativo reclamam de credenciamento caro e acesso limitado

Equipe do BNews contatou órgãos responsáveis para entender sobre 'credenciamento' de motoristas de aplicativos  |  Divulgação / Freepik

Publicado em 18/02/2025, às 10h20   Divulgação / Freepik   Redação Bnews

Salvador tem promovido uma série de mudanças em sua logística nas proximidades dos circuitos para se adequar ao Carnaval. Essas alterações têm impactado principalmente os motoristas de aplicativos que reclamam sobre o limite de acesso aos circuitos da festa.

Os veículos que operam por meio de aplicativos podem acessar apenas dois pontos: a Rua Djalma Ramos, na AV. Centenário, e a Garibaldi, na ladeira do antigo Banco Central, que dá acesso à Avenida Cardeal da Silva. Contudo, os motoristas criticam a distância até o circuito, alegando que isso, na maioria das vezes, leva ao cancelamento das corridas, beneficiando mototaxistas, taxistas e condutores de transportes coletivos, como ônibus, que têm acesso mais próximo durante o período de folia.

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O motorista F.F. contou ao BNEWS que existe um ‘ticket de credenciamento’, pago à Transalvador (Superintendência de Trânsito de Salvador), para ter acesso às áreas mais próximas dos circuitos. “Esse ticket é pago para poder passar e deixar os clientes na Barra”, afirmou F.F.

De acordo com ele, a 'credencial' é válida apenas para um circuito. Por exemplo, se comprada para a Barra, a circulação é permitida apenas naquela região, sem acesso à área do Campo Grande. “Eu acho muito caro”, continuou, mencionando que o valor cobrado varia entre R$ 300 e R$ 400 reais.

“Infelizmente, quem compra um ticket desse não pega corridas de R$ 20 e nem R$ 30. Para levar o cliente, tudo bem, mas quando chega a noite, dependendo do bairro, os preços sobem. Cobro entre R$ 100 e R$ 150”, acrescentou.

A reportagem entrou em contato com a Transalvador e solicitou um esclarecimento sobre o credenciamento. A Superintendência de Trânsito informou, por meio de nota, que não procede a informação de que seja cobrada qualquer quantia de motoristas de aplicativos para acessar as proximidades do carnaval.

"Como nos anos anteriores, a autarquia destina espaços especiais para o embarque e desembarque desses motoristas. Os principais pontos deste ano são a Rua Djalma Ramos (Centenário) e a Garibaldi (na ladeira do antigo Banco Central que dá acesso à Avenida Cardeal da Silva)", completou a Superintendência.

Outro motorista, G.G., relatou ao BNEWS que o 'credenciamento' pago é oferecido a moradores das regiões restritas, já que cada imóvel pode registrar até dois veículos. Porém, como nem sempre há dois veículos por imóvel, os moradores vendem esses espaços.

“Tem um colega meu que pagou R$ 400 para moradores da Barra. Eles pegam o cadastro e vendem para motoristas de aplicativo para faturar”, afirmou G.G.

“Eles vendem entre R$ 300 e R$ 400, alguns chegam a vender por R$ 500. Tudo isso para que o motorista tenha acesso às proximidades dos camarotes, pegue os clientes e depois comece a viagem. Quem compra essas credenciais cobra um valor extra da corrida, tentando compensar o gasto. Uma viagem que custaria R$ 40 ou R$ 50, eles cobram entre R$ 150, R$ 180 ou R$ 200, dependendo do destino”, explicou.

De acordo com a Transalvador, a multa para quem transitar em locais e horários não permitidos é de R$ 130,16, com infração de natureza média, conforme o art. 187, inciso I, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Sobre as alegações de venda de credenciais, a Superintendência informou em nota: “A Transalvador não cobra qualquer valor de moradores para emitir adesivos que dão acesso às regiões restritas. Esses adesivos têm elementos de segurança que identificam seus proprietários. A venda de credenciais ou seu uso ilegal pode ser enquadrado como crime. O credenciamento pode ser suspenso, e o infrator estará sujeito às penalidades previstas no Código Penal, como estelionato (art. 171), falsificação de documento público (art. 297) e falsidade ideológica (art. 299)”.

A Prefeitura de Salvador foi acionada pela equipe de reportagem para informar quais medidas estão sendo tomadas para que os motoristas não sejam prejudicados. No entanto, solicitaram que a Transalvador e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) fossem procuradas. A Semob sinalizou que vai "divulgar todo o esquema da mobilidade para o carnaval na coletiva da prefeitura".

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