Economia & Mercado
Publicado em 14/04/2025, às 09h43 - Atualizado às 09h59 Divulgação / Freepik Verônica Macedo
O mercado de seguros de vida está em transformação, apresentando um crescimento expressivo na adesão de apólices que oferecem cobertura para doenças graves para o público mais jovem. É o que aponta um levantamento realizado pela Azos, insurtech de soluções para seguros de vida.
De acordo com os dados, houve um aumento de 88,17% no número de apólices contratadas entre 2023 e 2024, no Brasil, com destaque para as faixas etárias de 20 a 24 anos (139%) e 25 a 29 anos (118%). Esse movimento reflete uma mudança de comportamento entre os consumidores mais jovens, que buscam maior segurança financeira diante de riscos à saúde. Vale salientar que insurtechs são startups que usam tecnologia para inovar no mercado de seguros.
Além do aumento na adesão, os dados mostram que as principais coberturas contratadas são voltadas para doenças como câncer (70,7% dos sinistros abertos), infarto agudo do miocárdio (9,8%) e AVC agudo (5,3%). Esse tipo de preocupação permeia cada vez mais tanto o público mais velho, quanto um público mais jovem, considerando um contexto em que o Brasil enfrenta um aumento expressivo no número de diagnósticos de câncer.
Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se que, até 2025, o Brasil ultrapassará a marca de dois milhões de diagnósticos de câncer. Dessa forma, com a presença desse tipo de indicativo, preocupações em relação à proteção e planejamento contra esse tipo de diagnóstico impulsionam a diversificação de ofertas no seguro de vida. O mercado observa uma necessidade por abordagens de seguros mais correlacionadas com tais preocupações e que abarque uma gama mais variada de diagnósticos.
Outro fator relevante para a expansão do mercado é a digitalização dos processos. A possibilidade de realizar cotações e contratações de seguros de maneira online tem facilitado o acesso dos consumidores e permitido maior personalização dos planos. Esse tipo de comportamento reflete uma preferência maior pela contratação de seguros em modelos digitais ou plataformas alternativas.
De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2024, 64% das contratações de seguros em 2024 foram realizadas através de mobile banking. Em seguida vem o internet banking, representando 44% das contratações, e ATMs em 38%.
ATM é uma sigla que vem do inglês e significa Automatic Teller Machine e representa todo e qualquer equipamento eletrônico utilizado para automatizar e facilitar procedimentos financeiros como saques do cartão, pagamento de contas, entre outras transações.
A utilização de inteligência artificial e análise de dados está sendo cada vez mais incorporada para melhorar a experiência do cliente e tornar as apólices mais adequadas ao perfil e necessidades individuais de cada segurado.
"O uso de tecnologias alternativas, análise de dados e IA não atua apenas na eficiência operacional dentro do mercado de seguros, mas também invariavelmente impacta na aproximação de um público mais jovem com esse tipo de serviço. A contratação de um seguro de vida e todo o planejamento relacionado a esse tipo de decisão não devem se restringir à uma população mais velha, e é justamente nesse quesito que a modernização de processos impacta como atrativo para os mais novos.", comenta Rafael Cló, CEO da Azos.
Expansão e regiões
Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios, como a necessidade de ampliar a conscientização sobre a importância do seguro de vida e superar barreiras culturais que dificultam a adesão de parte da população. Para lidar com essas questões, as insurtechs e seguradoras tradicionais estão investindo em inovação, melhorando a experiência do usuário e oferecendo produtos mais acessíveis e transparentes.
"Ainda há um grande desafio educacional no Brasil em relação ao seguro de vida. Muitas pessoas não conhecem as opções disponíveis ou subestimam sua importância. Nosso papel, enquanto mercado, é desmistificar esses produtos e torná-los mais acessíveis e compreensíveis para o público", reforça Cló.
Diante desse cenário de transformação, a crescente adesão dos jovens ao seguro de vida evidencia uma mudança significativa no comportamento do consumidor e impõe novos desafios e oportunidades ao setor. “No entanto, apesar dos avanços do setor, ainda persiste um desafio cultural: a percepção de que o seguro de vida é um produto voltado exclusivamente para públicos mais velhos. A superação dessa barreira depende de estratégias educativas e da ampliação da oferta de produtos mais acessíveis e flexíveis, que dialoguem com diferentes perfis de consumidores. Para seguradoras e insurtechs, a chave para o crescimento sustentável do mercado está na combinação entre inovação tecnológica, educação financeira e adaptação a um cenário competitivo e em constante evolução”, ressalta o empresário.
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